<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213</id><updated>2011-08-18T05:56:24.882-07:00</updated><title type='text'>Vor V Zakone</title><subtitle type='html'>...A surfar o impossível na enésima dimensão</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-116384854755067510</id><published>2006-11-18T03:10:00.000-08:00</published><updated>2006-11-18T03:15:47.570-08:00</updated><title type='text'>Ladrão dentro da Lei</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;…”Ladrões dentro da Lei”… a primeira organização mafiosa russa… as coisas que se aprende com uma novela escrita para gente cansada e sem vontade de pôr os miolos a funcionar. Quem diria que este livro lhe traria um ensinamento, pensava Miguel. Daqui passou para a raiva: “&lt;em&gt;se eu queria um livro cor-de-rosa que me distraísse, porque raio me hão-de obrigar a aprender quando eu não quero. Será que nem posso optar por não saber? A ignorância é uma bênção, quem o disse não sei, mas sem dúvida alguém que não era ignorante e tinha pensado muito e sobre muita coisa, útil e inútil, incluindo sobre o drama da inteligência.&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;Enterrado na cadeira bordeaux, as ligações químicas cerebrais não paravam, embora ele apenas desejasse deixar-se encantar pelo romancezeco-de-livraria-de-vão-de-escada e iludir o seu pessimismo com bonitas de sentenças acerca de quão bom é viver e amar.&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Talvez haja uma mística no leste: o ar gélido, a tez lívida…o olhar impenetrável! Há indubitavelmente a mística da questão filosófica a que se resume o processo de maturação: sobreviver dentro da Lei. Aqueles tipos têm de saber muito da vida para existirem dentro de um círculo tão apertado&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;Decidido a não mais deixar-se invadir por questões complicadas, abandonou a cadeira bordeaux para ir mergulhar no sofá da mezanine de onde se veria o pôr-do-sol, caso ele se estivesse a pôr. Estendeu as pernas e pousou os pés ainda descalços, &lt;em&gt;porque isso de usar chinelos de quarto é para mariconços&lt;/em&gt;, no mobiliário adequado, a mesa de apoio à mezanine. Cruzou os braços como que em sinal de protesto juvenil sob o jugo da proibição de sair e observou simplesmente o mar, na esperança de coisa nenhuma. Miguel não esperava nada feito.&lt;br /&gt;Miguel era um ladrão dentro da lei dos tempos civilizados, a metáfora perfeita! No âmago da sua excentricidade tentava conferir à sua vida uma qualquer normalidade, para lá das teorias conjecturadas na mezanine acerca da vida, do caminho de deus e das descobertas, sabia que não podia ir até à praça do mundo explicar todas as suas conclusões e convertê-los, aos outros, à sua crença, à religião da Humanidade. Ninguém o quereria ouvir e mesmo que alguém quisesse, muitos não o compreenderiam, ora porque eram os piores dos cegos, ora porque as suas limitações o não permitiam. Na verdade, a grande maioria, ainda que convocada, arranjaria uma qualquer desculpa mundana, como o ter que ir trabalhar para não estar presente. Como se um dia de trabalho não pudesse ser desperdiçado nem para assistir à revelação, mas eles coitados não percebiam, nem Miguel os julgava por isso, condescendia-se… Assim se ia escudando Miguel, para encarreirar com todos os outros, acordar de manhã, apanhar o metro e dizer um bom dia sorridente ao mundo dos normais. Mas o conflito ia estando latente como um vulcão de pedra amarela prestes a derrubar os grilhos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Lei moral é a que mais atormenta: porque não posso simplesmente fazer o que quero? Porque me acorrenta a suposta moral comunitária com a qual não me identifico? Assim sou eu: a tentar enganar as leis restritivas dentro da lei, a tentar encontrar o meu lugar ao sol num descampado à sombra&lt;/em&gt;, desvios de Miguel que nem se apercebia que dificilmente existiria um descampado à sombra.&lt;br /&gt;Depois destes pensamentos reconfortantes, Miguel voltava ao lado normal da sua vida, mas sempre que se encontrava sozinho, sentia que tinha uma vida paralela, havia um qualquer lugar no mundo onde ele poderia ser ele e em que o percebiam e o recebiam como Messias. Como se a dado momento temporal desta nossa realidade houvesse a possibilidade de dizer as palavras mágicas que lhe abriam a porta para o mundo ao lado onde a mente se elevava sobre o quotidiano desvalorizado. Mundos paralelos, porque como as linhas não se tocam, só ele, Miguel, tinha a possibilidade de com as palavras mágicas construir a ponte que lhe permitia oscilar entre um e outro, mais ninguém podia… ele tinha sido escolhido, porque tinha sido pioneiro na descoberta.&lt;br /&gt;Enquanto estes pensamentos cubistas lhe mordiam o crânio ele ia-se auto-justificando pela sua anormalidade intelectual.&lt;br /&gt;Miguel era difícil. Miguel sabia que precisava de trabalhar para viver e que ninguém lhe pagaria para olhar para as nuvens e pensar sobre o que quer que fosse, a não ser que isso trouxesse dinheiro a esse alguém, o que não era o caso. Miguel não era um brilharete lá na área dele, limitava-se a fazer o que lhe pediam. Fazia estudos de mercado. Nada muito criativo, coordenava uma equipa de campo e era coordenado por um director simpático, positivo e sempre cheio de iniciativas para o bom ambiente no trabalho! Ele ia sorrindo amareladamente… e sonhava com o outro mundo que só ele conhecia… Lá ia ele nesse noite para mais uma iniciativa do departamento de marketing, que uma vez mais culminaria num copo nos meninos do rio, para meninos patéticos e muito pouco idiotas!&lt;br /&gt;Após um árduo dia de trabalho de 7 líquidas horas é recebido de peito aberto o momento alto daquelas vidinhas, o momento em que uma inofensiva matilha abandona o escritório metálico e sai em busca da descontracção proporcionada pelo espírito de equipa estimulado pelo ora-porreiraço-director-ora-treinador-de-balneário. Uma hora a matar conversa com este e com aquela e Miguel já suspirava e ansiava pela sua mezanine, pela possibilidade de se reconfortar na sua varanda intelectual de onde os via de cima e lhes acenava. Mas não, ia ter de ali continuar sob pena de lhe ser carimbado na testa mais um estigma qualquer acerca da sua personalidade anti-social.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Será que não há aqui ninguém capaz de existir verdadeiramente. Até há uns quantos cultores da actualidade, daqueles que devoram jornais semanais, diários, económicos e informativos. Dos que vêem o Canal História, o Odisseia e a Sic Notícias. Dos que estão plenamente informados sobre quem ganhou as eleições no Togo, sobre as cheias nos Camarões, sobre as tender offers no Uruguai, sobre o vencedor do festival da canção na Índia, sobre o Big Brother na Venezuela. Será que não passam de enciclopédias ambulantes, na melhor das hipóteses?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A grande maioria deles sabia mais do Mundo que o próprio Miguel, o ser superior, mas, pensava Miguel, não sabiam trabalhar a informação.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se o tipo da TVI tinha dito que o Bush é que era, então era isso mesmo, se o da SIC dizia que o Al Gore era o maior, então era mesmo. Conheciam todos os factos actuais e desactualizados, mas não conseguiam pensar acerca deles.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E era por isto mesmo que Miguel, tal como &lt;em&gt;Virgílio&lt;/em&gt; no seu momento, cria que eles precisavam de uma aparição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então e tu – questiona-o Gisela, a tagarela – em quem vais votar para ser o melhor português de sempre?&lt;br /&gt;- D. João II, é o som emitido pela cavidade bucal de Miguel, que não tinha investido dois segundos do seu tempo a ponderar essa questão pelo simples facto de se recusar a participar nessas manifestações populistas de democracia, ainda para mais num país em que a democracia ainda não havia sequer atingido a puberdade.&lt;br /&gt;- A sério, porquê?&lt;br /&gt;Como se não fosse evidente o suficiente, pensa Miguel, que teve vontade de responder: &lt;em&gt;sei lá, porque plantou o pinhal de Leiria, ah não, esse foi o D. Dinis, ah, já sei, porque reconstruiu a Baixa, ah não, esse foi o D. José, já sei, porque João é o nome do meu pai e 2 é o meu número da sorte.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- Porque foi o Príncipe Perfeito, ouviu-se dizer.&lt;br /&gt;- Eu – começa a empertigada Daniela – acho isso tudo uma grande treta, ainda vai ganhar a Amália ou o Figo, o que prova as nossas limitações.&lt;br /&gt;- Já estás tu outra vez contra o sistema – espicaça-a Rui, o engatatão.&lt;br /&gt;- Não é isso, – continua Daniela – nós mal sabemos o que é votar em consciência, as pessoas não sabem porque votam quando se trata de escolher um qualquer governo do que seja e depois vamos todos votar no melhor português. Primeiro ensinem o que é o voto, o que é o dever de votar, o dever de estar informado e depois brinquemos com os votos e aí até podemos votar no par de sapatos mais bonito de todos os tempos ou no equipamento de futebol mais sexy de sempre. Até lá não participo nessas manifestações popularuchas…&lt;br /&gt;- … de democracia, ouvir-se Miguel dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete cabeças se viraram para ele, como que surpreendidos por ele ter adivinhado o fim da frase de Daniela, ao que Miguel se pretendeu desentendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me digas que também achas isso – interroga-o Rui, desta vez verdadeiramente curioso com a coincidência ou sintonia de pensamentos e ligeiramente enciumado por não ter sido capaz de compreender Daniela e ser ele próprio a acabar as frases dela, assim como dois namorados apaixonados dos tempos modernos.&lt;br /&gt;- Eu não acho nada – responde-lhe Miguel já arrependido por a sua desatenção face às regras de socialização o ter levado a entrar naquela discussão, quando tinha conseguido passar o primeiro teste com aquela resposta brilhante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim morreu a conversa dos portugueses médios acerca dos melhores portugueses, mas não sei sem que Miguel tivesse olhado de soslaio para observar Daniela a quem nunca tinha prestado atenção, mas que acabava de a despertar e a prendia, sem que ela própria se desse conta.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ora aqui está uma pessoa que tem qualquer coisa a ver comigo, mesmo ao meu lado… Será que ela também tem um mundo só dela de onde vê o outro lado do cubo multicolor, que para os outros não passa de bum quadrado azul?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;É Daniela quem reintroduz a conversa na mesa, mencionando, para espanto de Miguel, o seu envolvimento profundo em certo projecto piloto de um grupo itinerante de discussão acerca de perspectivas de vida, que vai circulando por várias partes do país e acolhendo os diferentes interessados, mas sempre coordenado por ela mesma e um grupo de amigos seleccionados, como ela explicou, como se fossem carne de porco para fazer fiambre.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hum… Quem diria que ainda encontraria almas pensantes num sítio como este… e ela até parecia uma pessoa como todas as outras. Será que ela estaria interessada em… nahhh… ia ser uma seca para ela.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Assim se perdia Miguel nos caminhos do conflito, numa Faixa de Gaza interior em que qualquer ser neutral seria bombardeado pelos dois lados, naqueles sítios do mundo onde até há canibalismo militar, que é como quem diz, até se mata o seu. Enquanto isto, Daniela continuava a entreter a mesa com as suas histórias originais, das quais ela se orgulhava e sem perder pitada do mundo dos comuns. É aqui que Miguel se interroga se vale a pena ser uma ilha paradisíaca que todos querem visitar mas ninguém lá quer viver ou se é preferível ser o pequeno paraíso onde, para lá do paraíso, há uma base de razoabilidade que os faz ser uma comunhão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vale a pena ser artista reconhecido postumamente? Ser lembrado, admirado e invejado pelo mito? Ou é melhor opção abdicar de me transformar num criador de ideias orgulhosamente só e viver a normalidade e o, já também normal, conflito interior dos anormais que decidem que a revolta é para perdedores e portanto engrenam na grande máquina, hoje em dia, da globalização. Eu nem uma arte tenho… a minha arte é pensar, como a do Gabriel. Aquilo que eu melhor faço é mesmo ter ideias, não para grandes quadros, nem para grandes filmes, nem para grandes músicas, nem para grandes poesias. Só grandes ideias…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Miguel, Miguel… Cu Cu!&lt;br /&gt;- Hum, diz… digam – indaga Miguel repentinamente puxado de volta a este mundo e vendo as mesmas sete cabeças todas à sua volta, com a diferença que estava sentado e as cabeças assentavam em corpos, cujas pernas estavam estendidas verticalmente ao chão.&lt;br /&gt;- Vamos embora ou ficas aqui a conversar com os botões que não tens?&lt;br /&gt;- Vou, vou, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se levanta Miguel, sem saber se zangado consigo por não ter sido capaz de manter a atenção na conversa do grupo, se simplesmente confirmando mais uma vez que a sua existência é a mesma de um ladrão dentro da lei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-116384854755067510?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/116384854755067510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=116384854755067510' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116384854755067510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116384854755067510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2006/11/ladro-dentro-da-lei.html' title='Ladrão dentro da Lei'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-116324390042747316</id><published>2006-11-11T03:14:00.000-08:00</published><updated>2006-11-11T03:18:20.446-08:00</updated><title type='text'>Desconcertante Colunável</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao contrário das bonitas historietas de amor, estes dois só se cruzam porque desviam a sina. Aliás, se há uma bifurcação ela sempre irá para a esquerda e ele para a direita; se há um lugar à sombra e um lugar ao sol, ela sempre desejará a sombra e ele o sol; se é preciso optar entre o IP e a auto-estrada, ela quer o IP e ele a auto-estrada; se a escolha é praia ou campo, ela clama pela praia e ele pelo campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Frederica -  dirige-se-lhe Inês - acabo de ver o Berto!&lt;br /&gt;- A sério? Merda!&lt;br /&gt;- Ele não me pareceu surpreendido por me ver.&lt;br /&gt;- É natural, afinal foi por isso que ele cá veio, não é? O grave disto é que ele vai pensar que vim ter com ele depois daquela conversa ao telefone, mas pior, ele vai agir como se nos tivéssemos encontrado por acaso, vai mencionar isso mesmo, mas plenamente convicto de vim aqui ter com ele e por isso não terei hipótese de dizer que nós já cá estávamos, até porque vou parecer uma adolescente que não quer admitir a paixoneta pelo miúdo mais giro da turma. Devia ter-lhe dito que nós estávamos no Condestável quando ele me ligou…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;menu jurídico&lt;/em&gt; à sua frente provoca-lhe um ligeiro sorriso pela sua própria piada não partilhada: &lt;em&gt;das Águas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;dos Espumantes&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;das Cervejas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;das Cervejas sem álcool&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;dos Licores&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Indecisa?&lt;br /&gt;- Hum… Não… Sim… Bom… Olá Berto!&lt;br /&gt;- Já viste… o destino sempre a unir-nos.&lt;br /&gt;- Pois - responde uma Frederica pouco atenta à sua própria resposta, mas sem desejar prender-se naquelas coordenadas -  Então e novidades, desde há bocado?&lt;br /&gt;- Comprei um carro!&lt;br /&gt;- Ah, sim… Nas últimas cinco horas?&lt;br /&gt;- Estava indeciso entre o mini e o 307. O mini é um carro cheio de personalidade, mas tem tanto disso que me cansou antes de ser meu. O 307, enfim, carimba-nos logo com aquele ar de macho do tunning, que não me agrada, mas, olha, se fosse mulher era bem pior, é que numa mulher um 307 quer sempre dizer: “&lt;em&gt;Eu ando na noite!&lt;/em&gt;”. No fim optei pelo Mercedes Classe A.&lt;br /&gt;- Pois, fizeste bem - afirmou uma Frederica quase honesta, como se não pensasse que Berto tinha comprado uma carapaça de tartaruga com rodas.&lt;br /&gt;- Mas e tu, o que achas do Colunável?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nada, não acho nada. Acho que te devias ir embora, acho que não devias ter vindo, acho que isto não é justo para ninguém e acho que também já te tinha dito que esta relação-iogurte já tinha passado da validade. Agora aproveito e digo-te também que está azeda! – é o que lhe responde uma Frederica, tão surpreendentemente para ele como para ela, assumindo o papel da personagem desconcertante:&lt;br /&gt;- Oh, minha querida Frederica, de onde vem tudo isso? Nós estamos apaixonados, ou estou enganado? - interroga-a Berto enquanto lhe faz uma festa no pescoço, da qual ela parecia estar à espera.&lt;br /&gt;- Não, Berto, começa ela pausadamente, eu não vou ser a outra o resto da vida. Não vou dizer que foi um erro, mas que começa a sê-lo.&lt;br /&gt;- Mas sabes que eu não posso deixar a Pati, ela é a minha Branca de Neve.&lt;br /&gt;- E eu devo ser o anão Rezingão, ou serei a Bruxa má? Queres um conselho? Toma conta das maçãs!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Do you think I’m sexy? Do you think I’m sexy?&lt;/em&gt;” grita ardentemente a engenhoca tecnológica de ponta de Berto, que enquanto se afasta deixa cair um: “&lt;em&gt;Espera um bocadinho que eu volto já&lt;/em&gt;.” “&lt;em&gt;Não é preciso&lt;/em&gt;”, grita-lhe uma Frederica irritada com a displicência, enquanto deambula interiormente numa comparação entre o quadro azul à sua frente e o seu estado emocional, “&lt;em&gt;Aquilo podia ser a minha fotografia emocional, se não fosse azul. As minhas emoções oscilam num fundo entre o amarelo, o laranja e o castanho, quentes mas sem ser em brasa, mornas, são mornas. O quase-círculo branco, podia ser o epicentro emocional, de onde brotam ideias hesitantes sem destino, das quais muitas aterram em terra de ninguém&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Whisky, com gelo, se faz favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde é que nós íamos, minha querida?&lt;br /&gt;- Na parte em que tu e a Pati eram felizes para sempre na vossa casa de bonecas cor-de-rosa para onde tu vais voltar agora.&lt;br /&gt;- Oh… Não me vais fazer essa desfeita, pois não? Vim aqui para te ver!&lt;br /&gt;- Mas eu não quero! Parece que tens dupla personalidade? Afinal com quem é que eu tive aquela conversa? Com o teu irmão gémeo?&lt;br /&gt;- Ah… Mas eu não aceito o fim! Olha, vamos lá fora! Vi um sítio perfeito para estarmos os dois!&lt;br /&gt;- Não percebes mesmo…&lt;br /&gt;- Claro que percebo!&lt;br /&gt;- Óptimo, então…&lt;br /&gt;- Anda comigo! Vem!&lt;br /&gt;- Desisto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Berto, acorda!&lt;br /&gt;- Bom dia, boneca!&lt;br /&gt;- Acorda rápido, precisamos de falar, muito a sério.&lt;br /&gt;- Ok, vamos lá então. Adoro quando falas a sério…&lt;br /&gt;- Isto tem de ter um fim. Já sabemos que não vamos sair deste pesadelo. Esta tem de ser a nossa despedida. Não posso investir num fundo perdido! Esta relação não vai evoluir e não vejo nenhuma razão para investir numa coisa que vou perder. É como dizia a minha avó, quem aposta sabendo que ganha é ladrão, quem aposta sabendo que perde é estúpido. E eu não quero ser estúpida.&lt;br /&gt;- Sim, tens razão. Estou a ser egoísta, não posso querer-te só para mim.&lt;br /&gt;- Não desconverses, sabes bem que a questão não é essa.&lt;br /&gt;- Olho para nós e vejo-nos há dez anos, vejo-te como a minha menina de há dez anos atrás! E és tu!&lt;br /&gt;- Tu estás a reviver esse filme e o problema é esse mesmo. Estás a viver na tua imaginação um passado, que não é o presente, mas ages como se fosse. Acabou o “&lt;em&gt;Alf&lt;/em&gt;”, começou o "&lt;em&gt;Family Ties&lt;/em&gt;". Eu já não fumo cigarros escondida atrás de um carro, já não precisas de me ensinar como se pede um safari-cola sem ter ar de menina, eu bebo o meu próprio whisky e, adivinha, até sei que gosto do irlandês e não do americano. Não podes reaparecer com o anelar enfeitado e dizer: &lt;em&gt;aqui estou eu como dantes&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;- Mas tu sabes que eu sempre estive apaixonado por ti.&lt;br /&gt;- Deve ter sido por isso que te casaste. A sério, eu não te censuro o casamento ou a Pati. Poderia ter feito o mesmo, mas não estaria aqui se o tivesse feito. Censuro a tua falta de honestidade contigo mesmo. Arranjaste uma boa justificação para conseguires para encarar o espelho, que te liberta das correntes da consciência. E por isto tudo eu tenho de ir… Diz-me que me percebes, que concordas comigo, que vais cumprir…&lt;br /&gt;- Sim, sim e sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Inês, vamos beber qualquer coisa?&lt;br /&gt;- Daqui a meia hora no Colunável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no azulado Colunável, Frederica espera Inês. Uma Frederica aliviada por finalmente ter deitado fora o iogurte azedo enfrenta a luz branca do telemóvel exibindo a negro a mesma palavra das últimas vezes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de atender Frederica ainda teve tempo de desabafar um: “&lt;em&gt;Estás a ver, é isto! Ainda hoje falei com ele!&lt;/em&gt;” com Inês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá Boneca! Onde páras?&lt;br /&gt;- Em nenhures. Pensava que ainda hoje tínhamos combinado que…&lt;br /&gt;- Espera, está aqui a policia, não desligues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chamada desligada&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;&lt;em&gt;3 chamadas não atendidas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boneca, então, não querias falar comigo? Desculpa ter desligado, mas…&lt;br /&gt;- Sim, já sei, Berto, a policia.&lt;br /&gt;- Exacto. Bom ia convidar-te…&lt;br /&gt;- Convidar-me??? Nós falámos há três horas e tu estás a convidar-me???&lt;br /&gt;- Que tal um bom vinho e um prato de queijos?&lt;br /&gt;- Devemos ter as linhas trocadas, porque a nossa conversa não é a mesma.&lt;br /&gt;- Queijos num recanto da Lisboa antiga. Romântica Graça… que me dizes?&lt;br /&gt;- Não vai dar.&lt;br /&gt;- Amanhã?&lt;br /&gt;- Beeeerto! Chega! Estás a gozar comigo?&lt;br /&gt;- Tu sabes que não, sabes que eu preciso de te ver e que não posso estar sem ti. Desculpa-me Boneca. A sério, deixa-me pedir-te desculpa.&lt;br /&gt;- Não há aqui nada para desculpar.&lt;br /&gt;- Anda lá! Vai ficar tudo bem!&lt;br /&gt;- Mas é isso mesmo que não pode ser. Não pode haver nada, nem bem nem mal. Será que a nossa conversa foi um sonho?&lt;br /&gt;- Vemo-nos no Colunável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Chamada desligada&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1 mensagem recebida&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“BERTO”&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não te vou deixar fugir, Boneca!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-116324390042747316?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/116324390042747316/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=116324390042747316' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116324390042747316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116324390042747316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2006/11/desconcertante-colunvel.html' title='Desconcertante Colunável'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-116264349286073204</id><published>2006-11-04T04:27:00.000-08:00</published><updated>2006-11-04T04:31:32.880-08:00</updated><title type='text'>O Avô não vem hoje?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Mãe, o avô não vem hoje? Ele disse que íamos fazer um campeonato de xadrez!&lt;br /&gt;- Não, querido, o avô hoje não vem.&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;- Porque… Sabes… quando as pessoas ficam velhinhas, assim como o avô, o coração fica cansado de bater todos os dias e um dia pára. Quando o coração pára, as pessoas morrem, ficam como se estivessem a dormir. Foi isso que aconteceu ao avô e é por isso que o avô não vem.&lt;br /&gt;- E quando é que ele acorda? A avó não pode chamá-lo?&lt;br /&gt;- Não, este sono é especial, porque é para sempre.&lt;br /&gt;- E se eu gritar muito alto nos ouvidos do avô? Assim: ACOOOORDA! O avô não acorda?&lt;br /&gt;- Não…&lt;br /&gt;- Mas o avô tem muito sono?&lt;br /&gt;- Não, mas o coração do avô já bateu muitas vezes durante 69 anos. Começou a bater mais devagarinho e depois parou.&lt;br /&gt;- Não podemos pôr pilhas?&lt;br /&gt;- Não, meu amor, o coração não funciona a pilhas, se não todos nós vivíamos para sempre. Podemos ir ajudando o coração a durar mais tempo e é por isso que tens sempre de comer a sopa, mas há um momento em que já não podemos fazer mais nada. Quando o coração pára não podemos pô-lo a funcionar outra vez…&lt;br /&gt;- Se eu fosse grande inventava um coração especial, como o meu robot, para o avô não ter de dormir para sempre…&lt;br /&gt;- O avô ia gostar de saber isso e não te preocupes porque o avô vai estar sempre a pensar em ti, meu querido.&lt;br /&gt;- Mas afinal se o avô pode pensar, porque é que ele não vem jogar xadrez? O avô dizia sempre que para saber jogar xadrez só é preciso saber pensar! Eu achava que ele estava a dormir... Afinal onde é que está o avô?&lt;br /&gt;- Agora o avô está em casa.&lt;br /&gt;- Posso ir lá ter? Ou vão pôr o avô numa caixa de madeira como aquela múmia do Canal Panda? Vão enrolá-lo em papel higiénico? Ele depois vai assustar meninos numa casa escura onde há bichos? Vamos poder brincar às múmias? Mãe, embrulhas-me em papel higiénico?&lt;br /&gt;- Não querido, isso tudo são histórias da televisão. Quando as pessoas morrem ninguém as enrola em papel e não se transformam em múmias.&lt;br /&gt;- Então o avô vai ficar a dormir para sempre na cama dele ao lado da avó?&lt;br /&gt;- Não… Quando as pessoas morrem normalmente há uma cerimónia…&lt;br /&gt;- O que é uma cerimónia?&lt;br /&gt;- É uma ocasião especial. Quando alguém morre, as pessoas que gostam muito de quem morreu, vão à igreja onde há um padre que reza para que o avô vá para o céu. Nessa altura todas as pessoas se vão poder despedir do avô.&lt;br /&gt;- Mas o avô não se despediu de mim, Mãe! Ele podia ter vindo dizer adeus antes de ir dormir.&lt;br /&gt;- Não podia, meu querido. O avô não sabia que o coração dele ia parar.&lt;br /&gt;- Mas se o avô está a dormir porque é que as pessoas vão lá? Ele não vai falar pois não?&lt;br /&gt;- Porque a seguir nunca mais ninguém vai poder ver o avô. A seguir o avô vai para o cemitério. Sabes o que é o cemitério?&lt;br /&gt;- Sei, é aquele sítio onde há umas casinhas pequeninas e brancas que parecem de brincar.&lt;br /&gt;- Isso mesmo, é nesse sítio que o avô vai ficar para sempre. E as pessoas que gostam muito dele vão à igreja para mostrar que gostam muito dele, antes de ele ir para o cemitério.&lt;br /&gt;- E ele fica lá sozinho?&lt;br /&gt;- Fica, lembra-te que é como se ele estivesse a dormir.&lt;br /&gt;- E ele não tem frio?&lt;br /&gt;- Não, querido, o avô já não tem frio, nem calor, nem sede, nem fome.&lt;br /&gt;Olha, lembras-te de quando o Tweety morreu? Tu gostavas do Tweety e o coração dele parou. Quando tu acordaste o Tweety não se mexia e nós enterrámo-lo no jardim e pusemos uma pedrinha por cima. É isso que acontece também quando as pessoas morrem…&lt;br /&gt;- Está bem. Posso falar ao telefone com a avó?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Avó?&lt;br /&gt;- Sim, querido neto, como estás tu?&lt;br /&gt;- Estou triste porque o avô nunca mais vem jogar xadrez comigo e ele tinha dito que íamos fazer um campeonato a sério, com pontos e tudo. Agora tenho aqui o quadro que o avô comprou para pormos os pontos, mas não posso pôr os pontos porque não sei quantos pontos ia marcar o avô. O avô devia ter avisado!&lt;br /&gt;- Ele não sabia que isto ia acontecer, por isso não podia ter avisado. Tu sabes que o avô gostava muito de ti e ele nunca faltaria ao campeonato se pudesse escolher. Mas o avô não escolheu que o coração dele ia parar, ninguém escolhe!&lt;br /&gt;- O Tweety também não escolheu?&lt;br /&gt;- Não, querido.&lt;br /&gt;- Mas a mãe comprou-me o Pinqui quando o Tweety morreu. Vamos arranjar outro avô também? Quero um que saiba jogar xadrez, porque nem todos sabem, o avô do Quico não sabe, foi o Quico que me disse. Eu até pensava que todos os avôs sabiam jogar xadrez!&lt;br /&gt;- Não, querido. Os avós não se arranjam. O avô é teu avô porque é o pai da mamã. Nós só temos um pai e uma mãe. Quando tu tiveres um filho, o papá e a mamã vão ser avós do teu filho para sempre. Não se pode trocar por outro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe! Mãe! Mãe!&lt;br /&gt;- Sim, Pepe! O que se passa? Tiveste um sonho mau?&lt;br /&gt;- Sim, muito mau. Sonhei que eu estava a dormir e tu me tinhas posto dentro de um caixa de cartão, naquelas casinhas de brincar que há no cemitério. Depois eu acordava e não sabia onde estava, mas estava lá o avô ainda a dormir para sempre. Depois eu saía e vinha para casa com uma senhora velhinha que estava lá ao pé da casa branca e quando eu chegava dizias-me que pensavas que eu tinha morrido!&lt;br /&gt;- Oh meu querido, que sonho tão mau!&lt;br /&gt;- Mãe, tens a certeza que o avô não está só com muito sono?&lt;br /&gt;- Sim, querido, tenho a certeza.&lt;br /&gt;- Ficas aqui hoje a dormir comigo?&lt;br /&gt;- Sim, fico.&lt;br /&gt;- Mãe…&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- Amanhã posso ir dizer adeus ao avô?&lt;br /&gt;- Sim, podes.&lt;br /&gt;- Ele não vai responder?&lt;br /&gt;- Não, querido, não vai. Mas no teu coração o avô vai sempre responder porque tu sabes que se ele pudesse te ia dizer que gosta muito de ti.&lt;br /&gt;- Mãe… só mais uma coisa? Porque é que a avó da Magda ainda não morreu? Ela é mais velha do que o avô!&lt;br /&gt;- Porque não há uma idade certa. Os corações não são todos iguais… são parecidos mas não são iguais, uns batem mais tempo que outros.&lt;br /&gt;- Como as pilhas do urso Teddy?&lt;br /&gt;- Mais ou menos…&lt;br /&gt;- Vou sonhar com o avô, está bem?&lt;br /&gt;- Está, querido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe, o avô nunca mais vai jogar xadrez, pois não?&lt;br /&gt;- Não…&lt;br /&gt;- Eu acho que o avô ia gostar de jogar xadrez se pudesse, por isso vou deixar o cavalo lá na casinha do avô, era a peça preferida dele. Não faz mal que ele não saiba. E vou levar o rei, que é o que eu mais gosto, para me despedir do avô e depois ponho-o aqui ao pé do Teddy. Acho que o Teddy não se vai zangar comigo porque eu já lhe disse que o avô vai dormir para sempre e que eu vou ter saudades do avô. Assim sempre que olhar para o rei penso no avô, mas também vejo o Teddy.&lt;br /&gt;- Acho que o avô ia gostar muito…&lt;br /&gt;- E mais uma coisa… Olha aqui o quadro que o avô tinha comprado para nós.&lt;br /&gt;- O que escreveste no quadro?&lt;br /&gt;- Os pontos!&lt;br /&gt;- Ah…&lt;br /&gt;- O avô ganhou-me, vês?&lt;br /&gt;- Estou a ver, sim…&lt;br /&gt;- Como o avô nunca mais vai poder jogar xadrez eu decidi que o avô ganhava, só que ninguém lhe pode dizer que é a fingir, é só para o avô ficar contente, para ele pensar que ganhou o último jogo que nós fizemos. E se ele perguntar que jogo é este, nós dizemos que ele é que não se lembrava e ele vai acreditar, porque o avô às vezes esquecia-se das coisas, ele dizia que era porque já estava cansado. Ele vai pensar que se esqueceu mesmo, mas vai ficar contente porque ganhou o jogo.&lt;br /&gt;- Parece-me uma óptima ideia…&lt;br /&gt;- Olha, e mais uma coisa… quero que ponhas o quadro ali em cima do armário dos peluches, virado para cima.&lt;br /&gt;- Mas ali tu não o vês nem o consegues tirar.&lt;br /&gt;- Pois, mas vê o avô porque está mais perto do céu!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-116264349286073204?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/116264349286073204/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=116264349286073204' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116264349286073204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116264349286073204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2006/11/o-av-no-vem-hoje.html' title='O Avô não vem hoje?'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-116205291110039123</id><published>2006-10-28T09:27:00.000-07:00</published><updated>2006-11-04T04:47:46.606-08:00</updated><title type='text'>Mimi da minha vida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hermano mergulha no sofá de couro com dez anos, que ainda conservava o cheiro a pele verdadeira, que ele tanto apreciava, liga a televisão e concentra-se em mais um episódio CSI Miami, ainda com as lágrimas a perturbarem-lhe a visão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cinquenta anos, é isto afinal!&lt;/em&gt; Mais de metade da vida sem ser vivida. Uma personalidade orgulhosa e calma, quase apática, era do que o acusava a ex-mulher e provavelmente as namoradas de quem não se lembra. Nunca tinha experimentado drogas, nem conduzido com os copos, nem tinha sido expulso de uma aula. A única coisa radical que tinha feito era ter aberto o primeiro bar existente na ilha de São Miguel. São Miguel estava já distante da sua mente. Inteligente e com queda para os números tinha ido para Lisboa estudar a engenharia civil e daí construído um modo de vida simpático, nem de mais, nem de menos. Hermano estava sempre no meio, afinal junto à virtude.&lt;br /&gt;Cinquenta anos feitos, amigos presentes, é certo, mas a amizade aos cinquenta não é a amizade dos vinte. Uns casadíssimos que se negavam a ver a mentira em que viviam, mas ele não, ele conseguia estar sozinho, até porque aí o povo sempre tinha tido razão.&lt;br /&gt;Cinquenta anos é uma boa meta, mas já dizia o Tó de São Miguel, um homem não devia passar dos quarenta. Hoje Hermano comparara um perfume, &lt;em&gt;CK One&lt;/em&gt;, diziam que tinha um cheiro jovem, ele não gostava particularmente da acidez do aroma, mas a funcionária da perfumaria garantira-lhe que era jovem e ele ainda queria ser jovem, mesmo não o tendo sido quando o era.&lt;br /&gt;Há uns tempos a filha, já criada, tinha-lhe perguntado porque é que agora ele usava camisolas de gola alta, e ele tinha respondido que mudara de opinião. E mudara, afinal essa é uma roupa jovem. Quando se é jovem não se pensa nisso.&lt;br /&gt;Tinha casado com quem queria casar e tinha-se divorciado quando o desejara. Tinha tido os dois filhos desejados, criados por uma boa mãe e que não era má mulher, mas aos 30 quer-se tudo. Ele tinha tido tudo, sem aproveitar grande coisa.&lt;br /&gt;Este era um ponto de viragem, pensava ele. Mas a apatia do costume impedia-o de se mexer do sofá onde agora estava submerso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Intervalo do CSI, perfeito!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Rosária, sou eu, o Hermano.&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- Desculpa ligar a esta hora, precisava de falar contigo… com alguém. E és a única pessoa que tenho.&lt;br /&gt;- Estás muito estranho… mas estou a ouvir-te.&lt;br /&gt;- Olha, tu achas que eu sou má pessoa?&lt;br /&gt;- Não, não acho. Mas de onde vem esta conversa agora?&lt;br /&gt;- Estava aqui a pensar. Tenho cinquenta anos e…&lt;br /&gt;- Oh Hermano, desculpa, esqueci me do dia dos teus anos. Desculpa. Sabes como é o trabalho, os miúdos…&lt;br /&gt;- Não, não é nada disso. Quer dizer, não foi por isso que te liguei. Estava a pensar que tenho cinquenta anos e não tenho nada. Tenho uma casa e um carro, a minha empresa, dois filhos que não vi crescer, uma ex-mulher que já se casou com outro…&lt;br /&gt;- Não vais recriminar-me outra vez pois não? Acho que já tivemos os nossos momentos de acusações mútuas, não achas? Foste tu quem quis o divórcio, não tenho a culpa de que te tenhas enganado.&lt;br /&gt;- Eu não me enganei. Eu quis o divórcio e foi o melhor para nós. Nem eu o sabia no momento, mas tu sabes… eu não nasci para ser casado. Não é disso que queria falar-te… Eu queria só falar com alguém e na verdade tu és a mãe dos meus filhos, a única mulher que verdadeiramente amei e portanto a que melhor me conhece. Nunca deixei de estar sozinho mesmo estando contigo e sei que a culpa era minha e não era sequer uma culpa era só uma razão. Mas hoje eu gostava de ter alguém comigo, alguém, só alguém… Tu tens o Filipe, ele gosta de ti e trata-te bem, tens os nossos filhos que eu nunca soube compreender.&lt;br /&gt;- Oh Hermano, mas tudo isso é assim há já tanto tempo, que é que se passa hoje?&lt;br /&gt;- Nada, só gostava de ter por perto alguém. Não pedia uma mulher especialmente inteligente, especialmente bonita, especialmente bem sucedida, especialmente bem-falante, especialmente rica. Só alguém que aqui estivesse, para me por a mão no joelho e dizer que está tudo bem.&lt;br /&gt;- E tu ias acreditar nisso? Que estava tudo bem?&lt;br /&gt;- Não, o papel dessa mulher seria convencer-me disso…&lt;br /&gt;- Espero que saibas que mais difícil de encontrar reunidas numa mulher todas as qualidades que referiste, é encontrar alguém no mundo, homem ou mulher, que te arranque da solidão em que te enfiaste. Não precisas de ninguém que te alegre, que te faça pensar positivo, tu és assim. As tuas angústias são as mesmas de sempre, e só hoje te dás conta delas porque até hoje andaste a escudá-las em problemas vários: ora o casamento, ora o divórcio, ora o casamento outra vez, ora os miúdos, ora a escola do Tito, ora a faculdade da Magui, ora o dinheiro, ora a casa, ora o carro. Hoje que nenhum desses problemas existe, a verdadeira questão veio à tona.&lt;br /&gt;- Estás a ver, tu percebes-me. Tu podias ser a pessoa que me põe a mão no joelho e me diz que está tudo bem.&lt;br /&gt;- Podia, mas não sou. Há muito tempo que nada nos une a não ser os miúdos e uma sólida amizade dos anos em comum, mas é só isso mesmo.&lt;br /&gt;- Mas é mesmo só isso que eu procuro.&lt;br /&gt;- Tu não podes estar bem…&lt;br /&gt;- E não estou… Adeus Rosário…&lt;br /&gt;- Hermano, relaxa. Olha, vê o CSI, já perdeste um episódio, mas vai dar outro. Isso vai distrair-te a cabeça.&lt;br /&gt;- Sim, tens razão, ouviu-se Hermano dizer ao mesmo tempo que desligava a televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hermano pegou nas chaves e saiu de casa. No Champagne alguém lhe serviria uma bebida forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite.&lt;br /&gt;- Boa noite.&lt;br /&gt;- Faça favor, a Mimi indica-lhe uma mesa. Mimi, indica uma mesa ao cavalheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, eu sou a Mimi. Deseja tomar alguma coisa?&lt;br /&gt;- Sim, escolha a Mimi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que raio, porque é que esta tipa há-de escolher o que eu vou beber, pensava Hermano, enquanto via Mimi avançar em direcção ao bar bamboleando as ancas. Há uns anos, não sairia daqui sem ti Mimi…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cavalheiro, aqui tem a sua bebida, especialmente para clientes especiais.&lt;br /&gt;- Oh Mimi, mudei de ideias. Não quero a sua bebida. Diga-me lá uma coisa, quanto recebe por um privado?&lt;br /&gt;- Desculpe? Eu não faço privados!&lt;br /&gt;- Deixe-se de coisas. Responda-me.&lt;br /&gt;- Depende, mas certamente que para cavalheiros rudes o preço aumenta, afirmava Mimi, enquanto se sentia atravessada pelo olhar cortante do gerente que se tinha apercebido do mau ambiente e a passos largos vinha até eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Cavalheiro, há algum problema? Aqui a Mimi, às vezes é um bocadinho insubordinada.&lt;br /&gt;- Nada, nada.&lt;br /&gt;- Se precisar de alguma coisa faça o favor de dizer.&lt;br /&gt;- Hum, hum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Então Mimi. Pago-lhe 500 euro para mandar a sua coleguinha trazer-me um Porto e ficar aqui a conversar comigo. Para me dizer que está tudo bem…&lt;br /&gt;Enquanto o Porto era encomendado e a raiva de Mimi surgia em crescendo na sua face ruborizada, Hermano continuava… reparou que lhe disse quinhentos euro?&lt;br /&gt;- Sim, afirmava Mimai sem saber onde este tarado pretendia chegar.&lt;br /&gt;- Sabe, Mimi, as unidades de medida não têm plural, tal como a moeda. Deveríamos sempre dizer: cinco quilómetro em português correcto. Claro que se eu disser isto numa reunião de negócios sem explicar porquê me tomam por patego em vez de erudito. Por isso digo-lho a si, pode ser que passe a mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Hermano terminava frase apercebe-se de que Mimi está impaciente e pensa que esta é mais uma sem vontade de o perceber. Ele também não quer quem o perceba…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mimi, quer casar-se comigo? Viver comigo?&lt;br /&gt;- Desculpe, mas o cavalheiro deve ter bebido demais, vou chamar-lhe um táxi.&lt;br /&gt;- Não Mimi, eu não preciso de um táxi, preciso de alguém que me diga que está tudo bem, percebe?&lt;br /&gt;- Sim, dizia Mimi, enquanto pensava no oposto.&lt;br /&gt;Olhe, continuava ela, tenho aqui uma coisa que o vai animar, enquanto tirava da sua bolsinha um espelho de maquilhagem, um saquinho verde, uma tampa de uma Molin e o cartão de entrada no Champagne.&lt;br /&gt;- Eu não tomo drogas Mimi.&lt;br /&gt;- Mas hoje vai tomar, uma vez não são vezes.&lt;br /&gt;- Eu nunca tomei nada.&lt;br /&gt;- Hoje é o seu dia, a seguir não vai precisar que ninguém lhe diga que está tudo bem, porque verá que está mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hermano retraído e sem jeito, temendo fazer má figura, lá inspirou por dentro da tampa Molin, sem que o corpo tivesse reagido grandemente e sob o olhar expectante de Mimi, que lhe punha gentilmente a mão no joelho e dizia: &lt;em&gt;já vai ficar tudo bem…&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Aquele gesto e aquela frase a que Mimi não dera a menor importância despertaram os sinos cerebrais de Hermano, que ouvira o que queria ouvir de forma espontânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mimi, aqui estão os quinhentos euros, perdão, os quinhentos euro, que lhe prometi em troca dessa frase. Está dispensada da minha companhia.&lt;br /&gt;- Cavalheiro, eu não o disse pelos…&lt;br /&gt;- Sim, pois, eu sei. Mas vá, vá à sua vida.&lt;br /&gt;- Mimi agarra os quinhentos como se fossem a própria vida e some-se no escuro das cortinas aveludadas, perturbada, acende um cigarro longe das vistas curiosas dos clientes habituados a vê-la sempre sorridente e com bom astral.&lt;br /&gt;Hermano beberica o seu Porto com um sorriso nos lábios na convicção de que aquele momento mudara a sua vida e que no dia seguinte estaria tão feliz como naquele momento em que nem estava com os copos. Calmamente, como era seu timbre, liberta o cadeirão e sai deixando um sorriso largo ao porteiro. Entra no seu Golf preto, TDI, não era um qualquer, e depois de uma operação STOP, chega a casa… &lt;em&gt;Jerry Seinfeld&lt;/em&gt;, grita na Sic Comédia: “&lt;em&gt;No more soup for you!&lt;/em&gt;”, enquanto o episódio se despede e Hermano, apesar disso, satisfeito porque vai ficar tudo bem, se entrega ao MTV Live, para uma noite de &lt;em&gt;eighties by himself&lt;/em&gt;…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-116205291110039123?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/116205291110039123/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=116205291110039123' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116205291110039123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/116205291110039123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2006/10/mimi-da-minha-vida.html' title='Mimi da minha vida'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-113407561814776216</id><published>2005-12-08T12:53:00.000-08:00</published><updated>2005-12-08T13:39:34.126-08:00</updated><title type='text'>Sometimes</title><content type='html'>Sometimes late at night&lt;br /&gt;I look into the darkness and see your smile&lt;br /&gt;It looks like the SMILE itself&lt;br /&gt;Looks like God's smile if we could see him&lt;br /&gt;Looks like God's smile if he existed&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sometimes late at night&lt;br /&gt;I look into the darkness and see your face&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sometimes late at night&lt;br /&gt;I look at my left side and you're there&lt;br /&gt;That's when I konow happiness is just right there&lt;br /&gt;I tried hold you and you skipped through my fingers&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This night I've caught you&lt;br /&gt;and now&lt;br /&gt;I'll never let you go&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinado:Teu Micróbio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-113407561814776216?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/113407561814776216/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=113407561814776216' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/113407561814776216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/113407561814776216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/12/sometimes.html' title='Sometimes'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-113246428083752785</id><published>2005-11-19T21:17:00.000-08:00</published><updated>2006-11-04T04:52:56.060-08:00</updated><title type='text'>Curta-Metragem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Primeira Imagem&lt;/strong&gt;: relógio do Cais-do-Sodré a marcar as 5.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Avenida de Ceuta, Chuva Torrencial Invernosa: &lt;strong&gt;o Cenário.&lt;br /&gt;Acção&lt;/strong&gt;: Mulher em carro da moda (&lt;em&gt;a definir pelo argumentista&lt;/em&gt;) avança a alta velocidade, fuma meia &lt;em&gt;DavidHoff,&lt;/em&gt; a chuva molha o interior do carro, chegando a humedecer-lhe a face (&lt;em&gt;filmar o interior do carro&lt;/em&gt;). Ela olha em frente (&lt;em&gt;imitar ceguinho&lt;/em&gt;), com ar compenetrado, concentrada aparentemente na condução. &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(&lt;em&gt;O carro é filmado de trás&lt;/em&gt;) O carro desliza num lençol de água, ela estremece e faz um ar apavorado. Como que acordando do transe apercebe-se que não sabe onde está, olha em volta (&lt;em&gt;filmar interior do carro&lt;/em&gt;). Eixo Norte-Sul (&lt;em&gt;filmar a placa de entrada&lt;/em&gt;), Saída Sete-Rios. Ela abana a cabeça e fala consigo mesma: &lt;em&gt;não posso sair aqui, aqui não&lt;/em&gt;. Ela tinha pavor ao som dos elefantes e sabia que ainda estavam acordados. &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O carro segue em frente, em direcção à Avenida das Forças Armadas, ali a Entre-Campos, ela aí sabia onde estava, era a sua zona…&lt;br /&gt;Vira no semáforo conhecido à esquerda, pressente que ele lhe sorriu. &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Hospital Santa Maria à esquerda, à esquerda outra vez e Praça de Espanha.&lt;br /&gt;O taxista não arranca, ela faz-lhe sinais de luzes no momento exacto em que cai o amarelo, ele arranca, ela fica. Um barco que se perde…&lt;br /&gt;Ela esquece-se de que está na via pública e pensa… O sinal passa a verde, amarelo, encarnado e verde de novo (&lt;em&gt;filmar o semáforo sem que ela apareça&lt;/em&gt;).&lt;strong&gt; CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ela está encostada a uma árvore de pé. Sorri, sorri, sorri… É o fim por escolha própria, quem tem essa possibilidade? De escolher o momento? (&lt;em&gt;é o que lê no cartaz branco a negro&lt;/em&gt;). &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vindo da esquerda corre um indivíduo, passa galopando com uma máquina fotográfica na mão que apanha de cima de uma pedra granítica posicionada a dez metros dela. &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quando ele deixa de interferir com a trajectória visual dela em linha recta, ouve-se um &lt;em&gt;click&lt;/em&gt; e ao mesmo tempo uma luz encandeante solta-se do objecto.&lt;br /&gt;Ela foge rapidamente olhando para trás uns segundos que lhe permitem ter a percepção de que um vulto encarnado está em queda livre. &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ele arranca o rolo da máquina. &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ela já está a entrar na A5.&lt;br /&gt;Demasiado distraída segue o caminho. (&lt;em&gt;filmar silenciosamente o carro em andamento pelo flanco esquerdo; dar ideia de que vai a 40 km/h;&lt;/em&gt;). Chega a um prédio, estaciona, sai do carro, entra numa habitação. &lt;strong&gt;CUT&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(&lt;em&gt;filmar a casa com luz natural&lt;/em&gt;) Ela acorda e já tem o Jornal n.º 1 em cima da mesa. Olha-o distraidamente. &lt;strong&gt;CUT&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O ladrão é filmado frente a ao Quiosque Carlos Dias e lê atentamente o jornal n.º 2.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nota:&lt;/em&gt; capa do Jornal n.º 1 da Manhã Seguinte: Uma fotografia escura, onde ao fundo se vê uma mancha encarnada desfocada, tirada em andamento mais rápida que a velocidade do objecto fotografado. OBJECTO VOADOR NÃO IDENTIFICADO?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nota&lt;/em&gt;: capa do Jornal n.º 2 da Manhã Seguinte: ALEGADO SUICÍDIO EM LISBOA. GERAÇÃO PROZAC? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-113246428083752785?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/113246428083752785/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=113246428083752785' title='13 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/113246428083752785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/113246428083752785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/11/curta-metragem.html' title='Curta-Metragem'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112890182264313610</id><published>2005-10-09T16:47:00.000-07:00</published><updated>2005-10-22T05:42:16.706-07:00</updated><title type='text'>Mais e Mais e Mais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Só temos esta.&lt;br /&gt;- Não faz mal, eu tenho aí.&lt;br /&gt;-Toma, estás a precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momento de profunda inspiração, seguida de expiração profunda. "&lt;em&gt;Come as you are, as you were, as I want you to be&lt;/em&gt;", soa como ruído de fundo prazenteiro.O apocalipse está perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Terra vai explodir!!! A Terra vai explodir!!! I see dead people! I see dead people!&lt;br /&gt;- You are the devil! Devil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite quente pelos dias de Outubro, o céu estrelado bem visível de uma varanda. Uma tal combinação astrológica que indiciaria uma noite romântica a dois, um qualquer ele e uma qualquer ela abraçados a ver a Lua e as estrelas... Mas os astros enganaram a Terra, o clube da Ginja estava reunido. Copos partidos, alcool no chão, sopeiras feitas de papel, personagens do imaginário, um colchão insuflável e um cobertor... E olhos diabólicos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bibi e a vítima encontram-se. O culpado nega a culpa, diz-se inocente, só lhe perguntou as horas... e qual era o melhor caminho. A vítima está perturbada, fala lentamente, tem frases desconexas. Acusa o Einstein de ter descoberto a gravidade, deixando o Newton às voltas com a maçã na tumba. Shakespeare é chamado à quadratura: &lt;strong&gt;Ser ou não ser, eis a questão&lt;/strong&gt;! A advogada diz que a culpa é da sociedade, como quem nada aprendeu ao longo de cinco anos, como quem não se preocupa com o &lt;em&gt;El Niño&lt;/em&gt; ou os incêncios ou o jornalismo tendencioso da TVI, como quem aceita o que está mal sem contestar. Uma leiga...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A causa desconhece-se e o processo será arquivado. Mas há factos: Gonçalo, o sentimentalão, discursa para a posteridade em frente a uma câmara. Fala da importância do amor, da vida, da amizade e daquele momento em particular. É &lt;strong&gt;O MOMENTO&lt;/strong&gt;, a partilha de lágrimas e sorrisos, como se fossem siameses. É um momento catártico, acompanhado por todos que se unem com ele, no &lt;strong&gt;Nirvana&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro é um Sting em Nova Iorque, um outsider com pensamentos abstractos. Critica as pré compreensões, as repressões, os rótulos a que chama, agressivamente, de estigmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  O problema está nas pré ideias que as pessoas fazem, n devia haver estigmas.&lt;br /&gt;- As pré concepções são apenas a mente a trabalhar. Se és por natureza optimista vês o desconhecido com curiosidade, queres torná-lo conhecido. Se para ti o copo está sempre meio vazio, tens medo do desconhecido, partes do pressuposto que é mau. Ainda que aceites que pode não ser mau, o risco das consequências negativas é sempre maior que o proveito que pensas poder tirar caso tudo corra bem.&lt;br /&gt;- Mas porque é que as pessoas não pensam sempre que pode ser bom o que não conhecem? Porque é que se afastam do que desconhecem?&lt;br /&gt;- Está na natureza humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A miúda mantem-se invisível e deixa apenas o som invadir-lhe os sentidos. É nesse momento que ela repara que o céu está estrelado, mas até podia estar mexido! Um encanto de sintonia cósmica!&lt;br /&gt;Tomás levanta-se para atender o telefone, é a mãe. Ele e a miúda deitam-se em cima da cama, ela filma aquilo que poderia ter sido um sketch humorístico, que depois vê transformado em registos de som, à la &lt;em&gt;Branca de Neve&lt;/em&gt;. Perdem-se as expressões faciais e os olhares mortiços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Pois, pois é.&lt;br /&gt;(mãe fala)&lt;br /&gt;_ Pois, é isso. Achas que sim?&lt;br /&gt;(mãe fala)&lt;br /&gt;- Ah é?Realmente...&lt;br /&gt;(mãe fala)&lt;br /&gt;- Não, vou-me deitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas a mente deturpada tem os registos gráficos.&lt;br /&gt;A pedido dela deixam-se levar por &lt;em&gt;Talamasca&lt;/em&gt; e uma bola de feira vertebrável e um cubano à mistura. Gonçalo deixa que a sua mente o conduza para o desconhecido que também ele temia, enquanto a miúda e Pedro se deitam a seu lado (lado, a lado, a lado). O som assemelha-se ao mais puro Mozart! Pedro acorda em sobressalto cheio de adrenalida desejando atirar-se da varanda onde estavam os quatro havia horas, sentia que não havia limites para ele, era imortal ou então lá em baixo estava uma rede que o iria amparar. Ja iria salvá-lo... A miúda acorda com as vibrações de energia negativa, e grita algo importante, mas ele não consegue ouvi-la. Ele deixa a casa ao abandono, foge, corre descendo as escadas, a porta fica aberta... Mas niguém se apercebe! Tomás entra noutro campo dimensional, a miúda e Gonçalo sentem-se a viajar lentamente e apercebem-se de Pedro que há muito corria em volta dos carros estacionados, como se fugisse de algo sem sair do sítio. Os pensamentos circulares transformam-se em passadas circulares. A miúda sente as suas costas algo afiado e ouve uma voz: isto é um assalto, se te mexes eu mato-te. Tomás nada viu, dormindo. Gonçalo distante no pensamento e também de costas observando Pedro nem repara na presença alheia. Ela não fala, não se mexe. Ele pede-lhe o dinheiro e ela não sabe onde está. Lembra-se subitamente que a porta está aberta e não sabe quantas pessoas estão em casa, pensa rápido mas o seu corpo está paralisado. A mente avança e o corpo não cumpre. Ela procura coragem, mas não encontra, sabe o que quer mas não sabe como fazê-lo. Ela tem noção de que ele vai falando em murmúrios junto ao seu ouvido mas não consegue fazer a tradução para uma frase, parecem somente palavras desconhecidas ditas rapidamente. O seu canal auditivo parece simplesmente receber o som supersónico emitido pelo pc. Repentinamente como que acordando de um momento de transe ela decide agir, e no momento olha à sua volta: Pedro continua a correr já bem mais longe, Gonçalo simplesmente fixou um ponto no céu, talvez uma estrela, e deixou-se por ali ficar. Por fim, olha para Tomás esperando vê-lo ainda dormindo, mas ele tinha os olhos abertos como se há muito tempo tivesse assistindo àquele espectáculo de terror. Mas não, ele estava apenas a tentar perceber quem era aquela pessoa, lançou-lhe um olhar calmo, como quem lhe diz que não se preocupasse, que ia ficar tudo bem. Numa perfeita sintonia de movimentos Tomás ergue-se e a miúda vira-se, o que pareceu assustar o intruso que ambos tentam imobilizar e a quem tentam retirar o objecto acutilante. O cretino safa-se, qual macaco saído da selva com agilidade inumana e sem palavras correm ambos atrás dele. Por esta altura já Pedro tencionava voltar acasa e está no momento a entrar no prédio, acaba por ser Pedro, quem sem saber de nada o detém, como se tivesse sabido desde sempre que estavam em perigo. Gonçalo, que entretanto voltara à realidade, já tinha chamado a polícia embora se mantivesse inerte na varanda entre os estilhaços de copos. Foram os heróis da noite!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calmamente, mais acordado voltaram à varanda onde tudo tinha começado e quando o pânico passou resolveram brindar aos quatro e a &lt;em&gt;Ja &lt;/em&gt;que os tinha salvo e que certamente estava entre eles, e como prova de honra repetiram o ritual de invocação desta vez em silêncio cada um consigo a ponderar a vida. Em conjunto fizeram uma daquelas promessas vãs de se tornarem melhores pessoas, mas acima de tudo de serem leais... Até começarem a pensar que a vida está mesmo por um fio muitas vezes e que vale a pena agarrá-la e ir sempre mais longe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso Shakespeare pensou, mas não disse. O que ele disse foi: &lt;strong&gt;Não há melhor remédio para o amor se não amar ainda mais!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112890182264313610?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112890182264313610/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112890182264313610' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112890182264313610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112890182264313610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/10/mais-e-mais-e-mais.html' title='Mais e Mais e Mais'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112759777030794787</id><published>2005-09-24T14:32:00.000-07:00</published><updated>2005-09-24T15:24:25.020-07:00</updated><title type='text'>Vodka - Coragem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rita, a escritora, acabava de entregar o seu mais recente exemplar ao Francisco. Era um pequeno romance, aquele no qual mais realidade e ficção ela havia conseguido reunir até então. Um conjunto de pequenos e irrisórios factos pessoais, muito espaçados no tempo, mas todos conjugados em apenas duas personagens e num só espaço. Encontrou-lhe um fim que, ainda que previsível no contexto, era de todo imprevisível porque aquelas condições dificilmente se reuniriam. Havia naquele texto também um pouco dos seus desejos irrealizáveis, que o eram, não porque inatingíveis, mas porque quando neles pensava, não sentia que fizessem sentido se se tornassem reais, como aqueles desejos de feijoada às 4h da manhã que ninguém pratica. Como aquilo que cada um de nós gostava de ter coragem para fazer mas não faz e até adivinhamos as consequências nefastas que isso poderia ter, como desejar ir à Lua, ter o convite e não aceitar. Às vezes concretizar sonhos não depende só de quem os sonha e é muitas vezes convicção comum que os outros intervenientes necessários não estariam interessados em contribuir. E se estivessem até nem haveria coragem para concretizar, e por artes mágicas houvesse um shot de &lt;em&gt;vodka – coragem&lt;/em&gt; o efeito seria a mágoa, a desilusão ou a simples destruição de um sonho que apenas existe porque o é! A história de Rita era mais uma em que os mitos caem em que a galinha da vizinha era melhor que a dela!&lt;br /&gt;Rita sonhava com o director de edições desde o dia em que o vira pela primeira vez, sonhava como é possível a uma mulher adulta e madura de 30 anos. Em momentos de descontracção, à laia de laracha, lá ia relatando mais um olhar que lhe tinha lançado sem que ele se apercebesse. Rita ria de si própria e da sua falta de sorte no Amor. Dizia que ele era o seu sonho, um pouco como o Amor do poeta a uma imagem: quanto menos real e menos passível de alcance melhor era o poema.&lt;br /&gt;Luís era bem sucedido, com mulher e filhos que ostensivamente expunha em cima da secretária e uma gigante aliança de ouro luzidio visível da Lua, qual Grande Muralha da China. Um pai dedicado, um profissional carrancudo dotado de um mau génio apetecível e um humor mordaz.&lt;br /&gt;Com base nestes pensamentos pecaminosos Rita tinha escrito o seu romance, nascido de um pequeno facto real mas morto com muito ténues pontos de contacto com a realidade. Rita começou a sua história com uma banalidade: o envolvimento emocional e unilateral, como ela gostava de lhe chamar, de uma directora comercial com um administrador.&lt;br /&gt;Uma semana depois de entregue o livro nas mãos de Francisco na &lt;em&gt;Mil Estórias&lt;/em&gt;, o assistente de edição, Rita recebe à uma da manhã uma chamada no telemóvel. Era o Dr. Luís. Rita estremecera. Porque estaria o Mau – Feitio – Mor a ligar-lhe àquela hora?&lt;br /&gt;- Rita, está sozinha?&lt;br /&gt;- Sim, boa noite, Dr. Luís.&lt;br /&gt;- Preciso de estar consigo. Estou a chegar a sua casa.&lt;br /&gt;- Mas… Dr….&lt;br /&gt;E a chamada caiu. Rita volta a ligar-lhe e ninguém atendia, até mesmo quando do lado de fora da sua porta já se ouvia um toque idêntico ao do Dr. Luís, enquanto simultaneamente a sua campainha soava. Sem mistério, era o Dr. Luís que antes de lhe dirigir a palavra já a beijava como se sempre tivesse desejado tê-la mas só agora se tivesse soltado das amarras. Rita estava indecisa entre viver o momento como um sonho ou um pesadelo, como se houvesse uma opção racional a fazer. Rita dizia-lhe que parasse mas não o afastava. Queria ser controlada, mas não tinha a certeza se era assim… Ele só agia como se não pensasse em nada. Rita olhava pela janela e via um grande C branco no céu…e fê-la pensar subitamente no seu romance “Os Lunáticos”. Será que ele o havia lido? Será que ele tinha percebido? Rita sentia que sem querer tinha escrito o futuro. O Dr. Luís tinha caído da Lua e aterrado na Terra.&lt;br /&gt;Rapidamente ela escorraça o Dr. Luís da sua moradia, sentia que queria estar a sós com a Lua. E dez minutos foram o bastante. Rita abandona a Lapa imediatamente em direcção à Fontes Pereira de Mello, onde fica a sede da &lt;em&gt;Mil Estórias&lt;/em&gt; e irrompe pelo gabinete de Francisco onde no fim de uma pilha encontra o seu manuscrito tal como da última vez em que o vira, quando ali o deixara. Ainda ninguém tinha olhado para ele como, aliás, o seu bom senso e os costumes do comércio literário o diriam. Rita retira-o sem pensar nas consequências, aquilo nunca poderia chegar ao Dr. Luís. E se era suposto escrever o seu futuro, então fá-lo-ia mas exactamente como o desejava. Se os mitos alimentam o poeta, ela não era poeta.&lt;br /&gt;Ao chegar a casa Rita começa a escrever num ápice, afinal era fácil, era só sonhar, mas desta vez o sonho acabava bem e com sorte transformava-se na realidade, ou a realidade num sonho. Rita pega numa caneta e esboça a sua história, para mais tarde a desenvolver. E assim reza ela:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Carlos já tinha decidido: era aquela a mulher que ele queria! Ela fazia demasiada falta, mas faltava-lhe a tal coragem de quebrar as regras de conduta do orgulho. Tinha atirado com tudo como se fosse o que mais desejava há 20 anos de casamento falhado, quando eram apenas uns meses de relação. Não maravilhosa, mas com potencial, como ele gostava de dizer. Tinha agido num impulso precipitado de uma conversa acalorada. Helena fugia-lhe ou parecia que fugia, parecia tudo o que ele não queria, quando ele até sentia que ela o desejava, ou não estaria ali.&lt;br /&gt;A dois km de distância Helena acordava em mais uma manhã dolorosa com as lágrimas prestes a invadirem o mundo. Pensava nele, no que ele era, no quanto custava. E decidia mais uma vez (repetia este ritual a cada 24 h que passava) que tinha que aceitar o facto de Carlos não querer estar com ela. Uma conversa atabalhoada cheia de mal entendidos, numa má altura tinha-o levado ali. Helena sentia que se lhe tivesse dito que ficasse que ele teria ficado, que ele só queria mais uma prova, mas ele queria sempre tantas provas. Será que não era evidente? Ao mesmo tempo, quando descia à realidade sabia que aquilo era o que ele tinha querido, se ele visse aquele fim como um acto impulsivo teria voltado atrás. Ele tinha posto um ponto final e sentia-se bem com isso. Ela tinha vontade de lhe ligar, de ouvir a voz dele, de relembrar a que é que ele sabia, de o sentir e sabia que não o poderia fazer, não podia porque não tinha sido ela a chegar à conclusão que não mais o queria, mas ele. Se ele tinha chegado aí poderia bem fazer o caminho inverso. E doía… Doía porque a última frase tinha sido: “É definitivo, devolve-me a minha chave!” Aquela maldita chave!&lt;br /&gt;Carlos pensava numa forma de falar com ela, como sempre, um pouco ignorante nestas matérias tenta ser criativo, mas tudo o que lhe ocorre é levá-la a jantar e tê-la rapidamente de volta. Carlos liga-lhe e ela atende com uma voz trémula de quem é surpreendida pelo Coelho da Páscoa, diz-lhe simplesmente que precisa de falar com ela. Vai buscá-la a casa às 23h, não era possível jantar, demorara demasiado tempo a pensar. Ele põe-lhe uma venda nos olhos pedindo-lhe que não a tire e leva-a ao Bar das Imagens ali ao Castelo onde ela entra mais feliz que da primeira vez que lá havia estado. Onde têm uma longa conversa sobre o quanto significam um para o outro, o quanto foi dolorosa a separação e onde fazem promessas de não mais se separar, porque é por isso que existem almas gémeas. Dali seguem ainda nessa noite até Coimbra, Hotel Astória, quarto 309, que desta vez estava vago.&lt;br /&gt;É ali que voltam a tomar-se nos braços um do outro como se nada mais importasse, como ele a havia tomado já, como ela já se havia deixado tomar.E também desta vez a bola redonda no céu os espiava. Ela tinha de volta a chave mais importante...&lt;/em&gt;”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112759777030794787?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112759777030794787/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112759777030794787' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112759777030794787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112759777030794787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/09/vodka-coragem.html' title='Vodka - Coragem'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112707762829768181</id><published>2005-09-18T14:03:00.000-07:00</published><updated>2005-09-24T05:47:06.606-07:00</updated><title type='text'>Um Adeus para sempre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela abre os olhos ainda meio ensonada e a primeira imagem do dia é a fotografia Dele, pousada na cómoda quase desde o primeiro dia e ainda não retirada depois do último, uma pequena birra infantil de quem recusa o fim.&lt;br /&gt;Há pequenas coisas que nos identificam: uma frase, uma ideia, uma expressão que nos faz lembrar alguém. Para Ela aquela imagem é Ele no seu estado puro com o sorriso rasgado, o olhar cintilante, sinais de alguém que existe de alma aberta ao mundo.&lt;br /&gt;Se em tempos Eles houveram sido o exemplo vivo de uma &lt;em&gt;Teoria da Quinta Dimensão&lt;/em&gt; em que os pontos de paragem coincidiam, as linhas de viagem se sobrepunham, hoje Eles são o falhanço da &lt;em&gt;Doutrina&lt;/em&gt;. O que coincidia era irrelevante e o que Os apartava revelou-se de exponencial importância.&lt;br /&gt;Ela pega no carro pensando chegar ao Mar, como se ele a compreendesse sem precisar de palavras, porque o Mar é o que de mais parecido existe com Ele. Um entendimento espiritual, uma química a que nem todos acedem, o inexplicável das almas gémeas em que uma delas começa uma frase e a outra acaba. Assim está o mundo em equilíbrio. Assim é o Mar que a cumprimenta sem palavras, que lhe devolve a tristeza que ela lhe entrega como se mais nada houvesse. No íntimo Ela não quer o Mar, quer-O a Ele, é Nele que pensa quando se deita é por Ele que as lágrimas se juntam ao Mar.&lt;br /&gt;É para casa Dele que Ela se dirige… E é à porta de casa Dele que Ela cai em si. Sem racionalidade Ela circunda o quarteirão como que desejando inalar &lt;em&gt;Ungaro&lt;/em&gt; à distância. Pára o carro e fica simplesmente olhando como se o seu olhar pudesse penetrar pelas paredes e vê-Lo sem ser vista, como se a força do desejo pudesse destruir o cimento que Os separa. Ali fica, pensa Nele, no quanto Ele faz falta na Sua vida, no cheiro Dele que provocava reacções quimicamente inexplicáveis, no quanto o quente do Seu toque era reconfortante, nos Seus lábios que A levavam a percorrer o mapa proibido das emoções, naquele sorriso, que Ela gostava de pensar que só a Ela se dirigia desde sempre e era a porta para o outro lado do mundo.&lt;br /&gt;Ela sabe que devia pensar no que A desiludira, no que A tirava do sério, no que A fizera sentir um certo alívio, nos motivos pelos quais Ele A magoava, no porquê de ter saído de consciência tranquila. &lt;em&gt;És ridícula&lt;/em&gt;, pensa para Si mesma. A vontade impelia-a a bater-Lhe à porta, quebrando todas as regras de bom senso e cair nos braços Dele, sem palavras porque Ele perceberia. Mas Ela sabia que agora só o Mar saberia o que Ela sentia, só dele tinha a garantia de ser recebida. Ele recebe-A com desconfortável surpresa e Ela logo deseja reescrever aquele parágrafo da sua História. No lugar das Suas fotografias estava um espaço vazio na parede, mais branca naquele rectângulo onde Ela devia estar, destaca-se pelo vazio. Aí Ela percebe que só para Ela a saudade existia, como que ocupando o espaço destinado para outros sentimentos. Onde estava a força e a luta, o desejo e a vontade? A promessa de um futuro? Tudo para Ele, não era tudo para Ela. Onde estava o desejo de A ver usar o seu nome? Ele subestimou-a e Ela sobreavaliou-o. Era um engano com uma grande consequência na mente Dela e uma pequena migalha que Ele deitara fora.&lt;br /&gt;Se voltamos sempre ao sítio onde pertencemos, Ela houvera voltado, mas ali não havia espaço… então não era ali que Ela pertencia. É como a lenda do final...&lt;br /&gt;O coração precisava de uma lição da consciência…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112707762829768181?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112707762829768181/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112707762829768181' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112707762829768181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112707762829768181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/09/um-adeus-para-sempre.html' title='Um Adeus para sempre'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112656138201239208</id><published>2005-09-12T14:36:00.000-07:00</published><updated>2005-09-12T15:08:47.353-07:00</updated><title type='text'>My gift is my song, and this one is for you!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordo ao som de &lt;em&gt;Wake me when September ends&lt;/em&gt; e ainda consigo pensar que Setembro ainda não chegou ao fim, por isso penso: Deixem-me dormir!&lt;br /&gt;Enquanto tomo banho ao longe, como que diluindo o som em gotas de água quentes vai soando o famoso &lt;em&gt;daddy cool&lt;/em&gt;… &lt;em&gt;I´m crazy like a fool&lt;/em&gt;, o que me faz esboçar um sorriso e gritar o refrão.&lt;br /&gt;Saio de casa e entro no carro onde começa por soar &lt;em&gt;´cause you´re poison…&lt;/em&gt;antes de chegar ao escritório não hesito em permanecer no carro até que a última frase de &lt;em&gt;I´me nobody´s wife&lt;/em&gt; seja proferida, qual sentença em tribunal superior, findas as possibilidades de recurso…&lt;br /&gt;Subo até ao gabinete e a secretária ouve em ruído de fundo &lt;em&gt;Romeu sem Julieta, assim sou eu&lt;/em&gt; &lt;em&gt;sem você, porque é que tem que ser assim?&lt;/em&gt; Musica idiota que roça a lógica…&lt;br /&gt;Tento concentrar-me mas o &lt;em&gt;queijo sem goiabada e a bochecha sem beijinho&lt;/em&gt; dificultam o sucesso!&lt;br /&gt;Ocorre-me algo: &lt;em&gt;Everything woul be easier if your colours were like my dream, red, gold and green…I really don’t know how to sell a contradiction, you come and go!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Por melhor que seja a mansão, a minha vida não passa dum certo viver debaixo da ponte onde caem pedaços de borracha ao passar dos veículos… Ou de outra forma, só me cai é merda em cima! Like &lt;em&gt;purple rain&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;Um telefone desligado, uma carta sem resposta, uma porta fechada… Ou a possibilidade de fazer uma chamada proveitosa mais cedo, receber outra carta que não se espera e uma porta de saída para um começo inesperado. Um amor que fica para trás ou a possibilidade de amar de novo? If &lt;em&gt;sometimes when I look into your eyes I swear I can see your sou&lt;/em&gt;l, I hope no one sees mine today! Any way, &lt;em&gt;like a twister I was born to walk alone, so, here I go again on my own&lt;/em&gt;! &lt;em&gt;As long as I know how to love I know I’m still alive!&lt;br /&gt;I feel like watching every motion in this foolish lover’s game…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;No fim do dia o meu toque especial do telemóvel toca… Que toque? &lt;em&gt;Mission Impossible&lt;/em&gt;… Atendo, sem sabe quem é. Logo esboço um sorriso: Ah!! És tu e a minha alma relaxa e o meu coração ressuscita. Não esperava ouvir-te… You’re still my most impossible mission!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ahhh...é só isso?? Anyway, &lt;em&gt;those were the best days of my life&lt;/em&gt;! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112656138201239208?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112656138201239208/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112656138201239208' title='33 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112656138201239208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112656138201239208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/09/my-gift-is-my-song-and-this-one-is-for.html' title='My gift is my song, and this one is for you!'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>33</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112635814540996463</id><published>2005-09-10T05:43:00.000-07:00</published><updated>2005-09-10T06:15:45.460-07:00</updated><title type='text'>Ao Porto Seguro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desço a Mouzinho da Silveira em direcção à Ribeira enquanto relembro a explicação que ele me dava acerca das reformas do século passado que o &lt;em&gt;homem&lt;/em&gt; havia implementado. No &lt;em&gt;Chez Lapin&lt;/em&gt; a D. Marisol, espanhola de raiz, esperava-me como em muitos outros dias. A &lt;em&gt;casa do Lapin&lt;/em&gt; tem-se tornado a minha segunda casa desde que a descobri há dois anos. O pratinho de queijos estará lá religiosamente guardado para uma das mais fiéis clientes e hoje decidi-me também pela especialidade da casa: o polvo. Eles já sabem que para mim tem mais sal para lhe cortar aquele sabor adocicado que me ficou do dia em que o provei. Ali sinto-me em casa. A decoração com os chapéus ora de bruxa ora de bobo, pendurados no tecto, confere-lhe um ar estranhamente acolhedor, a que se juntam as fotografias dos supostos (e também alguns reais) ilustres portugueses expostas com orgulho. É o tal espírito português de idolatrar “os da TV”, mas que no &lt;em&gt;Chez Lapin&lt;/em&gt; posso dizer que é castiço. Os cerca de 30 empregados parecem ter saído de um &lt;em&gt;casting&lt;/em&gt; sujeito ao tema: “OS CHANFRADOS”. Um parece sempre alheado do mundo, parece que não vê ninguém e age como se ninguém o visse, mal mas se estende um dedo ele aparece. Outra tem aparentemente uma grande necessidade de comunicação, deve ter sido política numa vida anterior, mas de baixa categoria, das que andam em campanha pelas feiras e mercados. O outro, com ar de quem ainda não devia ter saído da escola emite estalinhos com a boca e vai cantarolando nas pequenas viagens entre o balcão de serviço e a mesa onde o entrega. Todos eles desgarrados deste local precioso seriam qualificados como doidivanas, mas aqui encaixam no conceito como a pequena tábua de madeira onde estão inscritas as iguarias, fugindo à trivialidade do papel ordinário.&lt;br /&gt;A D. Marisol recebe-me com a energia a que já me tinha habituado e o seu sotaque já me é familiar. Aliás, eles são a família que se escolhe e no seio da qual me têm recebido.&lt;br /&gt;É mais uma noite que podia ser de solidão mas é simplesmente de paz. Faz hoje dois anos que me mudei para o Porto e resolvi celebrar vindo jantar ao local mais encantador que a cidade tem e tendo escolhido exactamente o mesmo que na primeira vez em que cá estive.&lt;br /&gt;A sempre solícita Joanah interrompe os meus pensamentos e pergunta-me pelo meu livro. Todos sabem que me mudei para o Porto porque quis cumprir os meus sonhos. Cursei direito mas a minha vocação mandava-me escrever, havia tanta coisa que queria dizer e partilhar. A minha imaginação não parava mas não cabia nos códigos. Quando comecei o estágio pensei que, aí sim, ia mostrar o que valia mas as oficiosas de miúdos delinquentes eram apenas bons motes para mais um romance! Ao deixar tudo para trás ninguém me apoiou, mas hoje gosto do que faço. Se a escrita é a minha vida, os artigos de opinião pagam as despesas. Comprei um prédio junto ao Bolhão por um preço inferior ao justo porque o último andar estava arrendado. Tem três andares e é muito estreito, por fora em vez do tradicional branco mantive o traço de originalidade que lhe foi impresso com azulejos azuis.&lt;br /&gt;A escrita toma-me demasiado tempo e energia e a vida social teve de ser reconstruída, mas tem valido a pena. É verdade que o amor ficou para trás, é verdade que ele esteve cá na primeira vez que visitei o &lt;em&gt;Chez Lapin&lt;/em&gt; e que hoje deveria ser um dia triste, mas não é… Não sou crente, mas às vezes acho mesmo que não vale apenas forçar o destino. No meio de tudo isto tenho uma proposta como publicitária, para ir fazendo uns projectos novos. Um bom desafio!&lt;br /&gt;E sim, Joanah, a escrita vai bem, obrigada!&lt;br /&gt;Hoje mereço um James Martin com duas pedras de gelo, para celebrar interiormente. Saio do &lt;em&gt;Chez Lapin&lt;/em&gt;, fazendo sinal para porem na conta.&lt;br /&gt;Vou direita à minha casinha que respira o espírito da cidade histórica, por contraste, decorada com traços &lt;em&gt;avant gard&lt;/em&gt;. Hoje não vou escrever…deito-me!&lt;br /&gt;Dez merecidas horas depois acordo com o buzinar tipicamente citadino e meia hora depois estou a subir a Rua de Santa Catarina onde no Majestic peço um croissant com queijo e um sumo de laranja natural. No fim disto o empregado do mês traz-me o desejado café que sempre bebo e já raramente peço. São estas pequenas coisas que fazem do Porto a minha cidade… Sair daqui, só para Paris!&lt;br /&gt;Ali sentada ouço as badaladas do relógio da Fnac: um pequeno traço de antiguidade na modernidade. Enquanto penso se vou embora ou não… vejo o Diniz. Conheci o Diniz ainda adolescente e foi o meu primeiro grande amor e primeiro desgosto de amor por falta de concretização. Era o sonho de qualquer adolescente: mais velho uns 3 ou 4 anos, um olhar cinzento sedutor a espreitar por entre as farpas de cabelo, com um grupo de amigos populares do qual ele era líder. Era imatura, tive medo e fugi. Há oportunidades que só se tem uma vez na vida. Uns anos mais tarde, porém, no aniversário de um amigo que eu não sabia comum, reencontrámo-nos. Achei que era a minha segunda oportunidade e que não a deixaria escapar. Envolvemo-nos de forma superficial e hoje acho que não lhe dei tempo para que se apaixonasse por mim. Eu estava encantada, aparentemente mais adulta, mas sentia-me a fervilhar como a tal adolescente que vê existir o seu imaginário numa realidade superior a que não ascende. Eu não soube esperar… e saí de cena! Achava que não me arrependeria, que a minha dignidade exigia aquela atitude. Mais tarde soube-o: estava errada! A minha dignidade ter-me-ia mandado lutar pela felicidade, o medo é que me mandou parar.&lt;br /&gt;Era o Homem da Minha Vinha. Soube-o e sei-o desde então. Desde aí encontrava-o esporadicamente, e sempre que o via aquele formigueiro que só os tontos sentem, estava lá! Mas eu mantinha-me impávida, sem o deixar soltar-se! Falávamos ao telefone e a conversa inevitavelmente acabava connosco a dizer que ainda nos íamos casar, que isso não parecia de rejeitar! Cada um de nós mantinha aparentemente uma vida amorosa oficial, mas ele não saía de mim… há anos, muitos anos... talvez anos demais!&lt;br /&gt;Eu costuma dizer, entre amigos próximos, dos poucos a quem podia contar esta paixão, que com ele eu casava-me, tinha 5 filhos e ia à missa. Ao que todos se riam, como se nada daquilo tivesse a ver comigo. E se eu própria também achava que aquilo não era eu, no íntimo aquilo era mesmo o mais puro de mim! Teria abdicado de muita coisa pelo Homem da Minha Vida! Até deixava de fumar!&lt;br /&gt;Ele não resistia a provocar-me e eu não resistia a responder-lhe! E ainda que eu soubesse que por ele era só um &lt;em&gt;flirt&lt;/em&gt; sem importância e sem concretização, e ainda que eu lhe desse o troco todo, eu não o sentia como ele! Para mim fazia realmente todo o sentido!&lt;br /&gt;Quando me vê sorri com o seu sorriso de esguelha e dá-me um beijo na cara mal chega até mim com o ar cuidadosamente desleixado de sempre, enquanto eu tremia, qual primeiro encontro amoroso. Será que 26 anos de existência e 12 de paixão por este Homem não me haviam ensinado nada?&lt;br /&gt;Diniz senta-se a meu lado, não falávamos há algum tempo, ele nem sabia que eu estava no Porto. Diz-me logo: “&lt;em&gt;Você está uma estampa&lt;/em&gt;!”. E eu não deixo, ingenuamente de me deleitar… Saímos apressadamente para eu lhe mostrar a minha nova casa onde a cama permanecia quente e desfeita. Pergunta-me pelo meu namorado e lá sou forçada a dizer-lhe que quem me havia explicado quem o &lt;em&gt;homem&lt;/em&gt; tinha sido já não existia na minha vida e que aliás nada sabia dele. Claro que ele me disse que já esperava isso, afinal eu nunca saberia como manter uma relação.&lt;br /&gt;Oh! Como ele se enganava… eu sabê-la-ia manter com ele, eu sei que seria uma pessoa diferente…&lt;br /&gt;Pela primeira vez eu deixei-me ir, ele foi avançando e eu fui deixando. Afinal se havia coisa que faltava no meu &lt;em&gt;curriculum&lt;/em&gt; amoroso era o sexo sem compromisso, mas não era por isso que eu o fazia… Nunca o tinha feito, nem com ele, mas naquele momento fazia sentido e a minha dignidade não me dizia que não. Conhecia-o há muito tempo e há muito tempo também que tudo deveria estar feito. E fizemo-lo… para mim certamente com um significado bem diferente do dele. Era o meu imaginário de adolescente em acção numa mulher adulta! Ele resolve ficar no Porto mais uns dias que o necessário e eu sei que o motivo sou eu, mas tento não me iludir… Ele fala em tom de brincadeira de um dia nos casarmos, o que para mim tinha toda a lógica, era o passo certo a dar. Mas eu sei que ele só brinca! Vivemos juntos durante duas semanas, como se fossemos os namorados mais próximos há anos. Eu que gosto pouco de partilhar a minha intimidade sentia-me bem naquela partilha especial, poderia viver assim o resto da vida, só eu e ele!&lt;br /&gt;No dia da partida estava ansiosa. Como é que nós íamos ficar dali para a frente? Será que ele me ia ligar? Será que ele mantinha a namorada? Nem isso eu lhe tinha perguntado! Que significado tinha aquilo? Voltei à adolescência!&lt;br /&gt;Ele despede-se de mim com um sorriso como só tinha visto nos filmes dizendo que me liga e fica à espera que eu apareça em Lisboa um dia destes. Aí, caiu o meu mundo, percebi finalmente aquilo que já sabia e não queria ver. Decido ficar triste e em período de nojo!&lt;br /&gt;No entanto e como a vida continua volto ao Majestic, onde mais poderia eu tomar o pequeno-almoço? Aproveito para pensar…&lt;br /&gt;Afinal não sentia tanta falta dele assim, afinal tinha sido bom, afinal… O telefone toca, era ele, soa para dizer que já tinha saudades minhas… Mas eu não tinha assim tantas… A dizer que queria estar comigo… E eu sem saber se o queria como achava que teria querido… Que me adorava e que eu era a maior… Pois, ele também era o maior…&lt;br /&gt;Assim destruí o meu mito, o meu imaginário e ficou um vazio. Logo percebi que andava a alimentar esta paixão há anos sozinha, sem motivo e só porque era engraçado ter uma paixão incontrolável e irrealizável. Agora podia realizá-la e não queria. Tudo deveria ter estado como sempre tinha estado…&lt;br /&gt;Pego no jornal da mesa do lado sem ver sequer a capa, folheio distraidamente e não resisto a parar pelas previsões astrológicas em que a frase do dia era: &lt;em&gt;Cuidado com o que desejas!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112635814540996463?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112635814540996463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112635814540996463' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112635814540996463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112635814540996463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/09/ao-porto-seguro.html' title='Ao Porto Seguro'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112575482418491536</id><published>2005-09-03T06:37:00.000-07:00</published><updated>2005-09-04T14:12:25.410-07:00</updated><title type='text'>O PROBLEMA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Mas a Dra. não está a perceber, eu não sei lidar com o problema. Eu sonho todas as noites com uma multidão, que mais parece uma manifestação da CGTP, em que todos levam cartazes gigantes de fundo branco com umas enormes letras a dizer “&lt;strong&gt;O PROBLEMA&lt;/strong&gt;”. Todas as noites é o mesmo desespero: ao longe eles gritam &lt;em&gt;“O PROBLEMA, O PROBLEMA, O PROBLEMA&lt;/em&gt;.” Como se fosse um coro divino. A Dra. sabe aquela voz dos desenhos animados muito grave a fazer eco bem lá ao fundo que sempre faz parte do personagem vilão? É essa voz!&lt;br /&gt;Enquanto Violeta relatava pela enésima vez o seu sonho no consultório da psicóloga esta já mal a ouvia, tendo fixado o olhar na placa dourada onde a negro se lia Dra. Margarida de Alcântara Sarmento. Tinha aberto aquele consultório logo que acabara o curso. Era no centro de Cascais. Margarida tinha pensado que não havia nada melhor que alguém que ouvisse de forma aparentemente preocupada as despreocupadas gentes de Cascais. Tinha sido um bom investimento: limitava-se a ouvir umas quantas histórias deprimentes de pessoas que se davam ao luxo de usufruir dos seus momentos cinzentos e que se satisfaziam com alguns elogios. E para mais a sua amiga Maria Mar, decoradora por hobby, havia feito um bom trabalho. O consultório tinha um ar moderno, luminoso, branco e de linhas direitas. Mas realmente aqueles sofás já mereciam reforma, o bege estava definitivamente&lt;em&gt; oldfashioned&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;Com estes pensamentos interrompidos a Dra. Margarida envolve Violeta em palavras sábias: tenha calma que isso passa! Sabe, querida Violeta, não há nada que o tempo não cure! Acredite em si que é capaz. A vida continua sempre! A única coisa que não tem solução é a morte! Olhe, se isso a ajudar a encarar a vida pelo lado positivo pense nas crianças a morrer à fome em África! De qualquer forma a sua hora acabou, vemo-nos na próxima semana.&lt;br /&gt;Violeta saiu desolada em direcção à Igreja no centro de Cascais, precisava de alguém que a ouvisse e se fosse um Padre, tanto melhor! A sua resolução ficou abalada quando na porta se lia num letreiro: &lt;em&gt;Encerra à segunda-feira para descanso do pessoal&lt;/em&gt;! Violeta exclamou: Não me digam que Deus também folga à Segunda! Furiosa, como se o Mundo se tivesse unido contra ela, dirige-se à Brasileira no Chiado disposta a comer uma torradinha com pouca manteiga (há que pensar na linha apesar das tragédias). Já de barriga cheia decide descer em direcção aos armazéns do Chiado, se não quando uma porta duma Igreja a convida a entrar.&lt;br /&gt;- Sr. Padre, tem um minuto?&lt;br /&gt;-Para os filhos de Deus todos os minutos, menina!&lt;br /&gt;-Eu tenho um problema. O único problema no mundo que é quase tão mau como a morte. Eu sei que não tenho sido grande praticante cristã nos últimos tempos, mas só Deus me poderá devolver a esperança.&lt;br /&gt;Tudo aconteceu há umas semanas. Eu estava com uma amiga de férias e resolvemos apanhar ar às duas da manhã. Encontrámos um pequeno café chamado 13, tinha simplesmente um número sobre a porta a encarnado e umas luzes encarnadas à volta como se fosse um enfeite de Natal. A minha amiga achou o ambiente um pouco estranho mas eu insisti em entrar. Entrámos. Havia uma série de mulheres vestidas com roupas provocantes e muitos homens de aspecto duvidoso. Pedimos cada uma um Bloody Mary, depois outro e mais outro. Ríamos e conversávamos alegremente até que um sujeito nos ofereceu a bebida da casa para clientes especiais, uma verdadeira dádiva! Mais tarde fui à casa-de-banho, à saída pedi lume a um homem que só depois percebi ser o mesmo que nos tinha oferecido uma bebida. Perguntou-me se não queria dar uma volta a sós com ele ou visitar a sua suite preferida que ficava no andar de cima. Como lhe disse que não, A. tornou-se agressivo agarrando-me no braço e dizendo que nos tinha pago uma bebida por alguma razão. Repentinamente eu estava na casa de banho masculina sem calças e com um enorme homem a penetrar-me contra a minha vontade. Não sei quanto tempo passou, mas saí a esbracejar mal puxando os jeans para cima em direcção à minha amiga que me aguardava pacientemente. Puxei-a por um braço gritando que tínhamos que ir embora. Contei-lhe que A. me tinha violado na casa de banho, fomos à polícia e eu liguei para o Jorge, o meu namorado. Eu sei que ele não faz por mal mas teve uma reacção estranha como se eu o tivesse traído, parecia que agora tinha nojo de mim. Ele é muito fechado, lida mal com as tristezas alheias. Disse-me que fosse ao médico e à polícia. Muito pragmático mas com uma estranha personalidade que eu não compreendo, mas respeito e acima de tudo amo. Só tenho pena que no meio disto ele não esteja a ser grande apoio, talvez pela falta de expansividade nas emoções…&lt;br /&gt;- Cara irmã, essa história sua é realmente muito triste… Mas nós temos que aceitar os desígnios de Deus e o caminho que Ele escolheu para nós. Há que agradecer o fado que nos foi traçado e não vê-lo como um fardo que nos foi imposto. As escolhas de Deus são sempre certeiras, por isso é que Ele é Deus, compreende? Pode parecer-lhe que Ele errou, mas já diz o ditado que Ele escreve direito por linhas tortas e tudo isto terá um propósito que ainda não lhe foi revelado. Pode ser um castigo divino. Já pensou se os erros que cometeu não serão grandes pecados mortais e é uma sorte ainda hoje aqui estar? Ou se este não será um passo para um importante ensinamento futuro? Pense nisso e vá com Deus, minha filha!&lt;br /&gt;-Empreste-me o seu Deus! Esse em quem confia!&lt;br /&gt;-Não pode haver mútuo de deuses, devia saber isso!&lt;br /&gt;-Nem oneroso? Quanto quer?&lt;br /&gt;-Muito menos oneroso, isso vai contra a moral e os bons costumes!&lt;br /&gt;Violeta abandona o Templo devastada, cansada e nauseada junto a casa onde Jorge a esperará, ainda que se sinta mais sozinha com ele que sem ele… Se ao menos alguém a compreendesse… Vou ligar ao Joaquim, decide ela subitamente, ele vai saber o que fazer com isto. Sempre fomos amigos e ele é muito sensato, mas o Jorge nunca poderá saber disto. Sentiria a sua confiança traída e se calhar com razão… Mas eu preciso disto!&lt;br /&gt;Mal entra em casa pega no telefone daqueles modernos que até têm hora e data. Era dia 22… Hum… o período estava atrasado. Não havia de ser nada! Afinal, Deus sabe o que faz, não é? Liga a Joaquim a quem conta a mesma história que havia contado ao Padre mas que se manifesta visivelmente preocupado com o “atraso”, uma coisa era má, as duas é terrível!&lt;br /&gt;Na manhã seguinte o pior confirma-se com um teste de gravidez que Jorge tinha deixado na mesa-de-cabeceira ao sair para o trabalho. Mas porque raio não tinha ele falado com ela? Se tinha pensado nisso porque não falou? Teria tido medo de enfrentar a questão? Ela não lhe havia falado do “atraso”! Se ele era assim tão atento aos pormenores porque não partilhou os anseios com ela? Mas pior que isso os anseios confirmam-se e logo toma a decisão de fazer intervir as medidas legais para a interrupção voluntária da gravidez. Foi ao hospital onde foi informada que tudo o que era preciso era a confirmação do médico que a tinha atendido no dia da violação e da polícia em como havia feito queixa.&lt;br /&gt;À hora de almoço passa pela SATOURISM, onde Jorge trabalha para lhe contar o sucedido, lavada em lágrimas. Jorge passa-lhe a mão pela face a pergunta-lhe quando queria fazê-lo, ela diz que o faria dentro de uma semana, que já estava marcado. Ele pergunta-lhe se quer a sua presença lá. Violeta fica quase chocada! Era evidente que queria, que presença haveria de querer se não a dele? A quem incumbia estar presente se não a ele? Parecia que ele estava a lidar com isto simplesmente deixando-lhe espaço, como se fosse só um problema pessoal em que ele não tinha nada a fazer. No fim disto A. ainda não tinha sido capturado apesar de já estar identificado!&lt;br /&gt;Uma semana depois é o dia temido. A interrupção é feita em segurança sem deixar mazelas físicas, só restavam as psicológicas que felizmente a Dra. Margarida ajudaria a consertar e esperava também algo de Jorge, que agora ele fosse tocado pela dor de uma perda dela… A sua dignidade, o seu corpo!&lt;br /&gt;O feto é guardado em laboratório para análise, procedimentos legais, dizem eles. Uma coisa correu bem: A. foi finamente encontrado pelas autoridades. E também aqui os procedimentos legais mandam recolher amostras de sangue para comprovar a violação e a paternidade do feto.&lt;br /&gt;Duas semanas mais tarde nada tinha mudado em Jorge que, taciturno e calado como sempre, cumpria a sua rotina e oferecia o seu apoio a Violeta sem que no entanto realmente o desse. Falta de jeito, talvez… Violeta está a sair para o emprego e o telefone toca:&lt;br /&gt;-Senhora Dra. Violeta?&lt;br /&gt;-Sim, sou eu.&lt;br /&gt;-Fala do Hospital dos Milagres. O Dr. Grossinho gostaria de saber se poderá passar cá hoje para uma conversa consigo. Tem alguma urgência. E pede-lhe que venha por volta da hora do almoço.&lt;br /&gt;-Com certeza, aí estarei.&lt;br /&gt;De caminho para a Rua das Flores liga a Jorge a quem relata a situação e a quem pede que a acompanhe, o que ele faz sem que se perceba se de bom grado ou não.&lt;br /&gt;Chegados ao Hospital dos Milagres o Dr. Grossinho manda chamá-la dizendo à enfermeira que a traga sozinha, o que pareceu descansar Jorge a quem não apetecia uma conversa de trompas e ovários. Não tinham passado nem dez minutos quando Violeta deixa o gabinete número 6 chorando como se tudo tivesse acabado ali. “O filho era teu, Jorge!”, diz ela. Tenta justificar-se pelo engano, mas Jorge sabia que não havia justificação para isso. Ela controlava o seu ciclo, não ele. Se tinha duvidas mandasse analisar antes de tudo isto! Jorge limita-se a sair com ela deixando-a em casa como ela houvera pedido e ele volta para a empresa, como se nada fosse, tentando que não parecesse nada e se não pensasse nisso, não pareceria nada! Chega a casa mais tarde que o normal e encontra Violeta a dormir possivelmente sob o efeito de algum daqueles soporíferos que só os fracos de espírito precisam de tomar! Tanto melhor, poderia pensar descansado, agora com calma. Não sabia o que fazer. Era o filho dele que estava morto e ele não teve nada a dizer acerca da sua morte. Um sentimento de raiva e ódio de Violeta apoderou-se dele. Quase tinha vontade de gritar, mas isso nunca adianta nada. Só os irracionais gritam. Violeta era irracional! Sem vontade de se deitar com ela adormece propositadamente no sofá e sai bem cedo, às 5 da manhã, para não a ver. Chega as 10 da noite sem ter atendido os telefonemas dela sempre com a brilhante desculpa de estar numa reunião onde não podia ser interrompido e encontra-a devastada. Mas ele próprio estava devastado, só não tinha os olhos com aspecto de ter saído de um motim de gangs como ela, porque chorar também não adianta. Ela interroga-o acerca da sua distância e dos seus silêncios, mas a verdade é que ele não tem grandes justificações a dar-lhe. Não lhe apetece nem olhar para ela, mas nem isso lhe diz. Limita-se a encolher os ombros depois de a ouvir durante uma hora entre choros, gritos e soluços e a dizer que se vai deitar.&lt;br /&gt;Situações como esta multiplicam-se ao longo de um mês em que Violeta visita a Dra. Margarida três vezes por semana e liga a Joaquim três vezes por dia. Este só lhe diz: deixa esse tipo, é maluco!&lt;br /&gt;Um dia, tão normal como os outros, Jorge não chega às 10, nem às 11, nem à meia-noite, simplesmente não chega. Não atende o telefone. E nos hospitais não há qualquer registo da sua entrada, bem como na Polícia. Violeta toma mais um dos viciantes Xanax para acalmar. Liga de novo a Joaquim que a convida a ir até casa dele para relaxar. Violeta nega o convite. O tempo passa… e Violeta sente que já não tem mais lágrimas a gastar. Nada podia ser pior: um dia tinha tudo e hoje não tem nada!&lt;br /&gt;Às quatro da manhã o seu computador dá sinal de um mail como tantas outras vezes, tendo-se assustado com o barulho Violeta desvia os olhos da parede branca e vê que o mail é de Jorge. Dizia simplesmente isto: &lt;em&gt;Nunca te conseguirei perdoar por teres morto o meu filho. Mudei de emprego e telefone. Não me procures, assassina!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112575482418491536?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112575482418491536/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112575482418491536' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112575482418491536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112575482418491536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/09/o-problema.html' title='O PROBLEMA'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112294236931084113</id><published>2005-08-01T17:22:00.000-07:00</published><updated>2005-08-01T17:55:39.836-07:00</updated><title type='text'>Carta de Amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;                                                                                                                             1 de Agosto de 2005&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Querido Henrique,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se esta é uma carta de amor ou de despedida, cabe-te sabê-lo, mas não é hoje o que me preocupa. Estás longe e eu sinto a tua falta e sei que te faço falta, sei que precisas de mim como eu de ti.&lt;br /&gt;Agi inoportunamente contigo e estás magoado, eu estaria também. Poderei não ter oportunidade de curar a mágoa, provavelmente também eu não ta daria. Eventualmente desejarás passar esta altura sozinho, ou não haverá sequer outra hipótese, era natural que eu escolhesse o mesmo. Não posso dizer-te que me arrependo de to ter dito, era inevitável dizê-lo, era racional fazê-lo. Tens razão, quando me dizes que não é altura para racionalidade porque agora os sentimentos se sobrepõem à razão, pelo menos os teus que certamente merecerão mais respeito que os meus.&lt;br /&gt;Mas não era isto que te queria dizer.&lt;br /&gt;Admiro-te, que é o maior sentimento de amor que podes ter por alguém. Adoro a tua mente, a forma brilhante como pensas, a inteligência que me deixa sem resposta. Apaixonei-me pelo teu bom humor, pela tua garra, pela tua filosofia de vida. Olho para trás e gostava de ter vivido muito do que viveste e olho para mim e vejo o que aprendi e cresci contigo, como me tornei melhor pessoa. Gosto do que fizeste de mim, daquilo em que me mudaste, das rotas que me levaste a trilhar.&lt;br /&gt;Já não imagino a minha vida sem o teu sorriso, sem as tuas ideias e perspectivas, sem a tua existência… Ainda bem que tens feito parte de mim! Talvez eu vá para Nova Iorque ou para a Tanzânia e talvez isso mude o que tu vês, mas eu sei que não muda o que eu vejo. Não te peço nada, não peço que te cases comigo, nem que partas comigo, embora não consiga negar que o desejo. Aliás, até peço, peço-te que sejas feliz, sempre! Que sorrias sempre, porque tens todas as razões para isso, pelo que és!&lt;br /&gt;O que eu te queria dizer, Henrique, é algo que há muito não sai da minha boca e que resume tudo isto: EU AMO-TE!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande beijo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o amor bem ardente,&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cereja&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112294236931084113?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112294236931084113/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112294236931084113' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112294236931084113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112294236931084113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/08/carta-de-amor.html' title='Carta de Amor'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112103077160130515</id><published>2005-07-10T14:22:00.000-07:00</published><updated>2005-08-01T17:30:59.683-07:00</updated><title type='text'>Cálice do Amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Beatriz já dormitava quando o telefone tocou. Um pouco sobressaltada simula um: “’Tou?”, ao atender o instrumento. Do outro lado, João, já animado devido ao avançar da noite, simplesmente lhe diz:&lt;br /&gt;-“O plano é muito simples. Vou-te buscar e dás-me um beijo assim que chegar ao qual eu respondo apaixonadamente.”&lt;br /&gt;Do outro lado, Beatriz começa logo a cerrar os maxilares em estado de desespero, pensando: “Porque é que ele simplesmente não me vem buscar e a questão fica resolvida?”.Não se apercebendo desta imagem, João continua:&lt;br /&gt;-“Vamos pela estrada fora, sobrevivendo a curvas e contra-curvas enquanto passas ao de leve a tua mão pelas minhas pernas e sorrateira e distraidamente uma vez por minuto desvias a mão da perna atingindo outro objectivo…”&lt;br /&gt;Aqui Beatriz atinge o estado de irritação máximo: Se ele me quer levar para a cama porque é que não diz logo. Estes homens com a mania do romantismo são qualquer coisa. João apercebe-se do silêncio e pergunta se ela ainda o está a ouvir, pergunta à qual ela responde com um sim de entusiasmo fingido. E João prossegue:&lt;br /&gt;-“A seguir estacionamos o automóvel. Isto claro regado com um beijinho querido e ao mesmo tempo que se demonstra o nosso perfeito entendimento cósmico Saímos do carro evidentemente de mãos dadas. Eu não resistirei a passar levemente os dedos pela ponta dos teus e tu relembras-me que isso te faz impressão. O que, felizmente, me obrigará a pedir-te desculpa e a dar-te um beijinho como prova do meu arrependimento enquanto passo a mão pela tua nádega esquerda. Descemos as escadas até ao bar azul onde ingerimos rapidamente uma bebida de forte teor alcoólico e aqui não há tempo para beijos. Eu já tenho uma loira e tu o russo paixão… Entendemo-nos agora ainda melhor. À porta exige-se não um, mas já dois, ou três ou quem sabe com a loucura alcoólica se não mesmo quatro beijos… e todos de seguida!”&lt;br /&gt;Por esta altura, Beatriz, já mais desperta não resiste a esboçar um sorriso enternecedor perante as deambulações joaninas… que ainda não tiveram fim:&lt;br /&gt;-“ Tentaremos evitar aquele fio de baba que une os nossos corpos naquele instante inesquecível mas se acontecer também não vem mal ao mundo. Prometo limpá-lo de forma carinhosa. Damos as mãos novamente e subimos as escadas de forma decidida ao bar onde nos espera mais uma noite. Serve-te?”&lt;br /&gt;Beatriz como que desperta neste ponto para a realidade, já estava imbuída do espírito de João e com curiosidade para ver o desenlace. Não o tentando demonstrar simplesmente lhe responde: “Esperarei ansiosamente para que bebas o Meu Cálice do Amor!”.&lt;br /&gt;Beatriz desampara o sofá num ápice ainda com um leve sorriso estúpido na cara que poderia querer dizer que ela pensava que aquele Homem era mesmo muito especial!&lt;br /&gt;Não se conhecem há muito tempo, mas havia algo que os ligava, uma química inexplicável, um “&lt;em&gt;click&lt;/em&gt;” adolescente, uma atracção magnética do negativo pelo positivo. Não foi um encontro estonteante, nada mais normal que terem uns quantos amigos em comum e terem sido ocasionalmente apresentados, terem reciprocamente julgado o outro como pessoa interessante e daí terem desenvolvido uma aproximação. Para tão pouco tempo já tinham dado conta de muitos altos e baixo, mas nem com os baixos em alta se separaram. Isso devia querer dizer alguma coisa, era pelo menos o que Beatriz pensava nos momentos menos bons.&lt;br /&gt;Dez minutos depois João toca à porta de onde uns minutos mais tarde vê sair uma exuberante Beatriz que naquele segundo pensava se iriam realmente cumprir o plano, não conseguindo evitar um pouco daquele entusiasmo primaveril dos 15 anos. Sem lhe dar tempo para mais interrogações João beija-a num ápice, e tal como prometido, é um beijo apaixonante… rapidamente chegam ao bar azul, cumprindo-se o planeado para essa pequena viagem. De um só trago o requerido &lt;em&gt;kalashnikov&lt;/em&gt; é engolido por ambos, que ainda sem fôlego já reclamam o seguinte… Entusiasticamente trocam algumas carícias já menos próprias para locais públicos, mas entretanto as barreiras sociais perderam a importância para se tornarem regulamentos a clamar por incumprimento.&lt;br /&gt;E o plano falha. Já não querem saber do combinado no bar seguinte, só precisam de estar os dois sozinhos… Chegam quase em sobressalto a casa de Beatriz… Ou reformulando, ao prédio onde Beatriz é proprietária de uma fracção autónoma no 7º andar… Não aguentando a excitação e o aperto do momento decidem amar-se onde lhes é permitido: num vão de escada de um escuro e frio prédio moderno onde o fogo de ambos é o suficiente para manter quentes os corpos. Fora incontrolável.&lt;br /&gt;Com alguma dificuldade suscitada pelo constrangimento de terem agido como seres irracionais encaram-se sem trocar uma palavra... apenas o sorriso doce típico dos amantes cúmplices!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112103077160130515?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112103077160130515/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112103077160130515' title='17 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112103077160130515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112103077160130515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/07/clice-do-amor.html' title='Cálice do Amor'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112085420440586738</id><published>2005-07-08T13:09:00.000-07:00</published><updated>2005-07-08T14:03:09.686-07:00</updated><title type='text'>Como se não houvesse amanhã!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em Wall Street gentlemen de camisa branca e gravata laça boiando no colarinho desapertado gritam números por entre baforadas de cigarros pendendo do canto do lábio. Estão irados, recebem telefonemas a seguir aos quais gritam novos números corrigindo os primeiros. A imagem vista por um alien parecia um qualquer ritual selvático de acasalamento de uma espécie subdesenvolvida de hierarquia inferior a qualquer batráquio.&lt;br /&gt;Constança entrara num mundo de homens. Curso de Gestão feito na Católica, pós-graduação em consultoria financeira no ISEG e MBA em Yale. Portas abertas para o grande mercado dos valores mobiliários, como se dizia nos tempos académicos. Dona de uma vida stressante, muito dinheiro por mês sem tempo para o gastar. O seu corpo já se habituara a viver com poucas horas de sono e com a adrenalina aos limites máximos, como se cada passo a atravessar a rua fosse um salto de bungee jumping. Há dez anos que não sabia o que eram férias, nunca tinha tido tempo nem para se casar! Há uns meses tinha conhecido Irving, colega na Dow Jones. Tinha-se rendido ao sistema de &lt;em&gt;dates &lt;/em&gt;americano. Na realidade eles é que tinham razão: é a solução para quem nem tempo tem para assumir uma relação, e isso dos namoros é para os miúdos. Os 35 anos já não dão para essas coisas de ter um namorado. No fundo entendiam-se bem: tinham a mesma profissão o que permitia entender que o tempo era escasso e o trabalho estava em primeiro lugar. Dois verdadeiros &lt;em&gt;workaholics&lt;/em&gt;. Davam-se bem, a vida corria-lhes bem. Constança sabia que a sua vida não estava preenchida e que o trabalho no íntimo era um escape para uma vida amorosa falhada cheia de desencontros e muito poucos encontros... e os poucos, eram falhados! Faltava-lhe romance, aventura. Mas a vida não estava para correr riscos, a profissão também não o permitia. Embora o psicanalista de Constança já lhe tivesse dito que o problema era o medo dela de correr riscos, de lutar pelo desafio. Ela contrapunha dizendo que relações com grandes abismos culturais e sociais não funcionavam. Não podia simplesmente largar tudo e correr o mundo na bagageira duma carrinha com um gadelhudo e uma guitarra, como se não houvesse amanhã. Ela admirava aqueles que tinham essa coragem, que estavam fora do sistema. Ela queria ser assim. Mas a sua única manifestação de estar fora da tabela era o mau génio que até hoje sempre lhe fora útil: sem isso não estaria onde estava. Não poderia viver no campo a tratar das ovelhas!&lt;br /&gt;Mais um dia chegava ao fim. Distraidamente conduz o recém-comprado Aston Martin até ao arranha-céus onde vive. Apartamento grande, moderno, com grandes janelas de vidros duplos e ar condicionado. Ansiava por deitar-se no sofá laranja com um copo de vinho tinto para relaxar. Não era assim tão mau viver sozinha: tinha a casa por sua conta, encontrava-se na sua desorganização e não precisava de partilhar a sua casa de banho com ninguém. Assim ocupava o tempo até sentir um forte embate: batera contra o carro de o condutor idiota. Só faltava esta! Lá se ia o serão com que sonhava!&lt;br /&gt;James Green sorria ante o pânico e a irritação de Constança, como se a situação o divertisse. Conduzia um velho Cadilac de 85 com o qual mal se preocupava. Este cenário estava pôr Constança fora de si. Como era possível, pensava ela, que este sujeitinho estivesse relaxadamente à procura dos documentos de identificação tendo apenas deitado um olhar de relance à grande amolgadela do seu carro. Problema resolvido e James, jocoso, convida-a para um copo justificando-se: “Para lhe provar que isto em nada me incomoda. E acho que devia divertir-se mais. Parece cansada.”&lt;br /&gt;Quem é que este tipo pensa que é? Interroga-se Constança. Faz de mim alvo de escárnio e convida-me para um copo. Lá tenho tempo a perder com falhados que ainda por cima se julgam donos da informação emocional alheia. Cansada, uma ova!&lt;br /&gt;Perante a insistência, Constança acede, quase contrariada. Fica entretanto a saber que James não tem profissão, estudou literatura contemporânea em Harvard, filho de boas famílias mas renegado pelos parentes pela vida boémia que leva. Durante uns anos deu aulas numa pequena faculdade do interior, depois escreveu um livro publicado a custo por uma editora de pouco crédito e é contra o sistema! Mas gosta de dizer, à laia de brincadeira, que o sistema está contra ele. Nunca casou, viveu uns anos com uma moça do interior que queria que ele fosse um homem bem sucedido para mostrar às pacóvias das conhecidas de infância de quem dizia mal diariamente. Desde então vive como lhe apetece. Enquanto houve rendimentos viajou. Quando se acabaram, trabalhou para viajar. Fazia o que calhava onde estava, quando se queria vir embora despedia-se e disto fazia modo de vida.&lt;br /&gt;Constança, já mais solta, pergunta lhe: “Como é que és feliz assim? Como é que sabes onde é que vais dormir manha?” A resposta para James era simples:” Não sei… e essa é a magia. Queres vir comigo? Parto dentro de um mês... só não sei para onde”. Ele escreve uma morada num guardanapo e entrega lhe dizendo: “ Não tenho telefone. Estarei nesta morada até ao fim do mês. Se quiseres companhia um dia destes aparece.” Em troca, Constança, desconfiada, dá-lhe o número do seu telemóvel. Separam-se junto ao Aston Martin onde ela deixa esquecido o papel ridículo que lhe fora entregue.&lt;br /&gt;A vidinha regressa à rotina, que bom é saber exactamente o que acontecerá a seguir… O ansiado copo e vinho é engolido de um só trago para depois o segundo ser saboreado. Acaba por adormecer no sofá de onde se levanta já a noite ia longa deixando os anúncios de tachos e panelas que fazem feijoadas &lt;em&gt;on their own&lt;/em&gt; a ecoar do lado norte da cidade. Às 6.30 o maldito despertador toca ao som de &lt;em&gt;Summer of 69&lt;/em&gt; e num ápice Constança salta da cama sem que lhe venha à memória “o caso James” e sai de casa… como se não houvesse amanhã! As horas vão passando até que se encontra, como sempre, com Irving. Cumprimentam-se como de costume, um beijo na cara, tentando manter o desprendimento a que se habituaram. Apenas combinando entre dentes um jantar para mais logo em casa de Constança.&lt;br /&gt;Irving jantou e previsivelmente ficou para dormir, o costume. Na manhã seguinte resolve surpreender Constança lavando-lhe o carro que se encontrava como habitualmente em estado caótico. Enquanto o fazia pensava se não gostaria de tornar a situação com Constança mais séria, mas logo pôs de parte a ideia temendo a reacção dela. Deu com um papel manhoso onde estava uma morada… Quem seria?, pensa Irving enquanto segura um saco de lixo acumulado. Ao mesmo tempo que os ciúmes se apoderam dele, sabe que não poderá interrogar Constança acerca do facto. Fica-lhe a dúvida no espírito… Num ápice deita fora o saco do lixo e desiste das arrumações pensando: Ela que limpe o seu próprio carro! Não é nenhuma inválida. Entre deambulações espirituais Irving vagueia pelas ruas pensando na sua vida…e conclui que gosta dela mesmo assim. No entanto, ao voltar ao apartamento para se vestir dá com uma Constança preocupada e que nota nele alguma raivazinha contida, qual amuo pueril. Após o interrogatório a que foi sujeito ela não tem mais informação do que tinha aquando do seu início. Irving sai apressadamente dali tentado esquecer aquela situação toda. Constança sai mais tarde envolta nas interrogações com que Irving a deixou e concluindo que quer mudar de vida! É aí que James lhe vem à cabeça e pensa em procurá-lo, mas logo a ideia louca a desampara. Mudar de vida, sim, mas não é preciso tanto! Decide, então, marcar nova consulta com o terapeuta, que vem a incentivar o seu novo estado de euforia mas chamando-a à Terra! Interrompendo os sábios conselhos do Dr. Clark, Constança atende o telemóvel. Era James a convidá-la para jantar. Ela aceita perguntado o que deve vestir. Logo se arrependendo, pela gargalhada sonora que lhe chega aos ouvidos, percebendo que estava a ser quase insolente e envergonhando-se disso. Era óbvio que ele esperava simplesmente que ela fosse sem qualquer outra preocupação!&lt;br /&gt;À hora combinada ela aparece na morada indicada envergando um estilo &lt;em&gt;casual&lt;/em&gt;. Fora difícil encontrar aquela ruela escura e mais ainda perceber que James vivia numa cave sem luz onde apenas existiam uma cama e uma cozinha em miniatura. Acordaram encontrar-se aí porque segundo James o restaurante era difícil de encontrar e ficava também para aqueles lados desconhecidos da &lt;em&gt;town&lt;/em&gt;. James escolhera levá-la a recônditos cantos para passear como intróito do jantar. Jantaram num bar onde um ex-militar perturbado falava duma filha residente na Holanda a quem pretendia enviar um postal, uma velha gorda e preta que tomava shot’s incessantes duma qualquer bebida transparente, uma lésbica que piscava o olho à amante do canto da sala, um tipo novo que fumava charros de um haxixe manhoso que lhes oferecia a todo o momento e uma criatura que se dizia especialista em astrologia. Curiosamente este leu-lhes uma carta astrológica mal amanhada feita na hora em que previa que James teria simplesmente pela vida fora a continuação da vida que ate hoje levava…e que a vida de Constança rapidamente mudaria…isto sob o peso incontestável da carta da Morte.&lt;br /&gt;Já a noite ia alta quando James enrola com mestria a primeira mortalha contendo uma erva puríssima regada a LSD (um segredo desconhecido até pelos deuses olímpicos) que oferece a Constança para que a inspire primeiro, quebrando as regras tribais dos habituais fumadores. É sob este efeito que Constança combina partir com ele, sem saber para onde e deixando tudo para trás… É um segredo que ficará entre os dois! Ela quer começar uma vida nova a todo o custo, ter algo que a preencha, buscar a felicidade e … quem sabe… talvez encontrá-la mesmo. Fica agendada a partida... para essa mesma noite. Já nada os prende. Passam em casa dela para levar alguns objectos pessoais… e lá vão eles: sem carro, sem bagagem… Um autocarro medíocre madrugador leva-os para o outro lado do continente. Ela já acorda no Texas!&lt;br /&gt;Enquanto isto Irving chega, como todas as manhãs a Wall Street... à hora normal passa pela zona onde esperava encontrar Constança. Como não a tivesse encontrado, volta mais tarde. Liga-lhe e o telemóvel toca sem que ninguém atenda, liga para casa e o resultado é o mesmo. Talvez esteja doente, é o que ocorre a Irving, prometendo a si próprio passar no seu apartamento no final do dia com um ramo de flores. Assim, o faz… Ninguém abre a porta e o porteiro não a viu esta manhã. Dois dias depois contacta a polícia dando-a como desaparecida. Este auto de notícia independente não é levado a sério pelas autoridades, afinal Constança é maior e tem liberdade de circulação.&lt;br /&gt;Os clientes queixam-se de não conseguirem contactar Constança e a Consultora para a qual trabalha acaba por deixar de contar com ela um mês depois. Do outro lado do país ela diverte-se servindo à mesa aqui, cantando num bar ali, sempre acompanhada pelo seu aventureiro preferido! A vida corre-lhe bem…&lt;br /&gt;A 15 de Abril, aniversário de Irving algo muda em si… Já sente saudades da vida da cidade, de um emprego decente e do dinheiro ao fim do mês. E agora? Não há como voltar atrás! Ou haverá? Irving já se habituou à dúvida. Nunca soube o que fora feito dela e já lá iam três meses. Mas como as más notícias correm sempre depressa nos EUA, certamente não lhe aconteceu nada. Simplesmente não percebe o que a levou a partir. Parecia estar tudo bem: um bom emprego, uma boa casa, bom dinheiro e um bom amante, pelo menos! Podia não ser perfeito, mas era mais do que a maioria de nós desejava ter!&lt;br /&gt;Seis meses depois, da mesma forma que houvera deixado a cidade Constança volta. Simplesmente pega na sua carteira e desaparece, dessa vez de avião. Não deixa a James qualquer nota de despedida. Vai… Quer a sua vida de volta e tudo a que tem direito… É com inevitável estranheza que é recebida pelo porteiro. Toma um banho e tenta pensar ao som das bolas de sabão que indiscretamente vão rebentando sobre os seus seios desnudos. Nessa mesma noite liga a Irving, desejando que não haja uma voz de mulher a atender o telefone do outro lado. Ele perdoá-la-ia? Pede-lhe que venha até sua casa para poderem falar, ele parece ocupado mas acaba por ceder.&lt;br /&gt;Ela prepara uma refeição simples e abre um bom vinho, como princípio de um “&lt;em&gt;I´m soooo&lt;/em&gt; &lt;em&gt;sorry&lt;/em&gt;”! Ele aparece, curioso e não consegue evitar alguma desilusão ao ver que ela está exactamente igual, pelo menos por fora. É pela noite dentro que Constança lhe expõe as suas dúvidas e anseios, o que a levou a partir e o que a levou a regressar. "&lt;em&gt;U always come back to the&lt;/em&gt;&lt;em&gt; "&lt;/em&gt;, dizia ela a título de justificaçao. Concluíra que queria mudar de vida, mas que não era preciso tanto, que podia fazer parte do sistema sem ser escrava. Que queria ser uma profissional de sucesso mas com direito a férias, que queria ser independente mas amada e feliz! E no fim pergunta-lhe simplesmente se ele quereria fazer parte dessa nova perspectiva.&lt;br /&gt;Irving mantém o silêncio constrangedor por momentos até que lhe diz que não é capaz. Foram meses muito dolorosos, que ainda agora toda aquela história mal fazia sentido. Mas que acima de tudo se sentia traído, não tanto pelo envolvimento dela com James, mas por ter ido sem um aviso, deixando-o ao longo de meses com medo de ouvir o nome dela na abertura da CNN.&lt;br /&gt;Esclarecida e terminada a história de ambos em conjunto Irving sai da sua casa ao mesmo tempo que sai de vez da sua vida. Constança encontra novo emprego numa empresa de exportação de milho onde o que ganha lhe permite o mesmo nível de vida que anteriormente levava… e a vida continua… com uma grande lição do passado. Sabia que teria de questionar os seus dogmas Yuppies, mas não era preciso tornar-se hippie. Podia ter feito tudo de forma gradual, sem radicalismos, mas talvez na altura não tivesse sido o bastante!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112085420440586738?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112085420440586738/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112085420440586738' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112085420440586738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112085420440586738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/07/como-se-no-houvesse-amanh.html' title='Como se não houvesse amanhã!'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-112047798469725571</id><published>2005-07-04T04:51:00.000-07:00</published><updated>2005-07-04T11:55:19.023-07:00</updated><title type='text'>Amanhã é outro dia!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa ruela londrina decadente eles deambulam, ora à esquerda ora à direita. Sem saber muito bem “the way to the next whisky bar”… A noite vai longa, a lua bem alta e o álcool desejavelmente fermentado. O “&lt;em&gt;Spoted Dick&lt;/em&gt;” acabava de fechar, mas a noite não podia ficar por ali…&lt;br /&gt;Felizmente Mr. Cusak mantinha o seu estaminé aberto até depois do fecho oficial às duas da manhã. Tinha-lhe ficado como herança das terras de leste de onde emigrara havia tempos… Os britânicos não sabiam o que era uma boa bebida. Começava o seu dia com um pequeno gole de azeite para proteger as vísceras. A partir daí ia fazendo descer pela garganta shot’s de vodka puro, à moda russa. A cevada não sabia ao mesmo, mas tinha-se rendido ás evidências: era mesmo o que dava lucro por aquelas bandas, e os tempos não estavam para esquisitices. Para aqueles clientes mais especiais lá tinha uma garrafa à séria.&lt;br /&gt;Apolo, Jessica R., Minerva e Sísifo entram no &lt;em&gt;Russian Style&lt;/em&gt;, como todas as noites em que já tudo fechou e a noite é para eles ainda um recém-nascido! Minerva e Apolo conversam de forma quase azeda sobre o ideal de beleza feminina. Ele fala-lhe dos míticos corpos Baywatch ou Penthouse e ela responde-lhe, já irada, acerca da beleza peculiar de cada rosto feminino fugindo do estereótipo. Até que se irrita e exclama: És básico! Apolo, não querendo ficar atrás na acusação, mas tendo levado a questão com maior descontracção que Minerva, limita-se a constatar aquilo que lhe pareceria uma verdade lapaliciana humorística: Sou, sim! O meu Ph é de 8! Não querendo perder o fio à meada Sísifo pensa arrumar a questão comunicando também um número (e aqui se vê como a matemática é a linguagem universal): A minha tensão é 11/ 6! Jessica R. é quem realmente encerra a quadratura: Eu não tenho colesterol!&lt;br /&gt;Com isto a copo fonia e outras que tais chega ao fim…&lt;br /&gt;Nova deambulação pelas ruas até chegarem à velha cave onde essa noite dormirão, sem que ninguém saiba porquê e sem que ninguém se interrogue acerca da causa! Até lá um alcoólatra dorme pelo chão sujo e negro invocando esparsamente uma Daisy por entre os soluços. Mais à frente uma adolescente de vestido branco esvoaçante (estávamos numa noite primaveril, que pelas terras de Sua Majestade significa 10 graus) está sentada num pequeno degrau fixando a parede em frente. A adolescente interpela-os: o que é aquilo ali na parede? Como não vissem nada encolhem os ombros em sinal de indiferença e retomam o passo recalcitrante. A adolescente levanta-se enraivecida e grita: Estão a ouvir-me? O que é aquilo? Como que assustados observam de novo a parede e vêem um pequeno ponto negro que nada lhes diz! Jocosamente, Sísifo não resiste a dizer: é um morcego e aquilo... é a cauda! Mas era demasiado pequeno para ser um morcego e a adolescente sente-se gozada! Jessica R., com o pragmatismo evidente diz somente que lhe parece um ponto negro na parede, um qualquer mosquito morto irrelevante que não vale aquela conversa… Mas Minerva não resiste: É uma teia de areia que pende da borda do telhado e o ponto é apenas a sua sombra… Apolo estava a esta altura simplesmente espantado com a ilogicidade da conversa…e ignora-os choroso porque afinal o tomilho já era!&lt;br /&gt;A noite termina realmente na velha cave…Cada um dorme onde calha…Amanhã é outro dia!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-112047798469725571?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/112047798469725571/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=112047798469725571' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112047798469725571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/112047798469725571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/07/amanh-outro-dia.html' title='Amanhã é outro dia!'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-111964484952139641</id><published>2005-06-24T12:20:00.000-07:00</published><updated>2005-06-24T13:27:29.550-07:00</updated><title type='text'>Com o narrador não se brinca!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vivo na aldeia no interior de Min Xing Wai. Saio com um cajado em punho e um litro de água em busca da alma. Falaram-me de um local espiritual, no cume da montanha… que quando lá chegasse saberia o que era… aí encontraria a alma.&lt;br /&gt;Ele vai andando, de aldeia em aldeia de pequena povoação em pequena povoação. Na semana passada chovia e sem alimentação bate à porta duma pequena palhota quase acolhedora. Um idoso abre-me a porta. Vivia com a filha, a única que tinha tido e que dele cuidava de sol a sol, de lua em lua… Não havia espaço para sonhos. Ofereceram-lhe uma ceia frugal. Quem seriam aquelas pessoas? Que teria aquele velho caridoso feito uma vida inteira? Teria trabalhado nos campos de arroz ou nas manufacturas? Ou seria apenas um génio pensante?&lt;br /&gt;Erro pelos trilhos pantanosos onde não raramente fico como que agrilhoado ao solo, onde os “bichos-do-mato” com aspecto asqueroso me assaltam a cada passagem. A busca da alma…Faria sentido? Tinha de fazer? Já lá iam meses de caminhada intensa alimentando-me do pouco que a natureza por entre tempestades me ofertava. A cada pequena gruta pernoitava. Como seria possível? Sempre vivera tão perto, já tinha ido tão longe mas nunca ali… Tudo tem um momento, este era o meu… A solidão fazia com que cada pequeno ruído fosse apreensível: aprendi a distinguis uma águia duma gaivota apenas pelo bater das asas.&lt;br /&gt;Ele continua o percurso tropeçando nesta e naquela pedra… pensando na paz de espírito que o campo transmite… até ouvir um gemido… uma ave de caça magoada… faltava-lhe meia asa, coitada! Com a ajuda das ervas medicinais que sempre se encontram pelos campos ajudou-a a recuperar. Logo, com pena a soltou… olhando-a ao longe a desaparecer por entre o nublado do céu...  enquanto sonhava ser livre e voar como ela. Mas e a alma?&lt;br /&gt;É aqui o pico da montanha, exclamo em plenos pulmões! mas... e a alma? Ao fundo… um pequeno lago, qual oásis no deserto… Como terá ali nascido. Não há uma fonte natural em mais de 500 km. A alma tem deste mistérios.&lt;br /&gt;Ele olhava embasbacado para a calidez da água onde a sua imagem desfocada reflectia, como uma pequena assombração. Por cima do esboço do seu crânio da água surge uma imagem…&lt;br /&gt;Exclamo: Um olho! Um gigantesco olho!&lt;br /&gt;Esta foi uma estranha viagem de Paz. A busca faz sentido e a Grande-Alma-Mãe existe… em cada um de nós!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-111964484952139641?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/111964484952139641/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=111964484952139641' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111964484952139641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111964484952139641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/06/com-o-narrador-no-se-brinca.html' title='Com o narrador não se brinca!'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-111938646177009071</id><published>2005-06-21T13:39:00.000-07:00</published><updated>2005-06-24T12:17:44.853-07:00</updated><title type='text'>Incursão pela maturidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta é a minha história. Um mês depois passaram 10 anos.&lt;br /&gt;Saí de casa aos 23 anos, no dia 24 de Julho de 1996: ia de férias. Nada melhor que rumar ao Oriente.&lt;br /&gt;Na China comprei chá branco a Wang Fo e foi o meu maior momento de felicidade, como se todos os sonhos ao longo de 23 anos de existência complexa (uso este eufemismo para complicada) se tivessem, por obra de um mago, tornado realidade. Cheguei ao Tibete onde um monge me mostrou o Nirvana, o êxtase! A alma eleva-se, o espírito abandona o corpo, sou livre! O mais próximo que disto tinha tido até então era uma ameaça de orgasmo solitário! Minutos seguidos de reunião espiritual num buraco negro onde o tempo não tem lugar… Agarro o ópio que os amigos de Wang Fo me tinham dado, adormeço levando comigo a Felicidade!&lt;br /&gt;Acordo aterrada na Índia, suja, sem roupa, abandonada pelo meu companheiro espiritual apenas trazendo o meu acompanhante, cujo físico agora me enoja mais do que nunca. Encontro uma pensão onde ficar, lavo-me, tentando perceber como ali cheguei. Porque estou neste estado? Olho-me ao espelho: socorro! Tenho mais 10 anos! O que aconteceu? Quanto tempo passou? Olho o despertador de cama: passou um mês…Estamos a 24 de Agosto! Tenho de voltar a casa!&lt;br /&gt;HUM... que será feito do meu monge tibetano? Descobri com ele o amor e o prazer! Chego ao Porto, uma semana depois descubro que estou grávida… Olho enternecida para o fruto do Nirvana! Tenho de me livrar deste velho que me acompanha a quem outrora chamei namorado e amante!&lt;br /&gt;Porque pareço eu com mais 10 anos? E ele? Parece que tem 40! No médico perguntam-me a idade. 23, respondo eu. Ele sorri como se eu estivesse a dizer uma piada e espera com ar matreiro até que eu diga a minha verdadeira idade. Até que choro e abraço-o chorando. Explico-lhe a minha história e sou enviada para a ala psiquiátrica. No fundo da cama está uma placa: Alexandra Marisa. Idade: desconhecida. Onde anda o meu Miguel Fernando agora que preciso dele? Agora já nem os dentes podres, as unhas pretas e o mau cheiro dos membros inferiores me incomodam! Só não quero estar sozinha!&lt;br /&gt;Mais tarde é oficial: tenho 33 anos… a 24 de Setembro de 1996! O Miguel Fernando tem 41! Somos o fenómeno contra-natura, o verdadeiro case-study! A ciência estranha-nos, mas a minha mãe parece não estranhar. O meu pai morreu enquanto eu atingia o Nirvana!&lt;br /&gt;Estou grávida e o Miguel Fernando apoia-me, mas não me preenche! E 10 anos mais velha! Tenho de crescer, RÁPIDO! Maturidade, precisa-se!&lt;br /&gt;Ocorre-me que tenho de avisar o Tibete. Escrevo… 6 meses depois recebo a resposta: O Monge Lamai partiu para a Tailândia e está em parte incerta tendo renunciado à fé organizada. E eu com um filho ao qual não posso renunciar!&lt;br /&gt;Aceito a Natureza malévola. Não sou feliz. O Nirvana fechou-me as portas! Nunca amei o Lamai mas é sempre um porto seguro na minha recordação com quem ensaio conversas putativas…O Marquinho está bem e o Miguel Fernando ainda aqui está… A ciência poucas respostas me deu, simplesmente uma mistificação pragmatizada da entrada numa realidade desconhecida provocada pelo pico espiritual tântrico conjugada com o poder subtil da mais poderosa droga de todos os tempos…&lt;br /&gt;Recordo com nostalgia e saudosismo a simplicidade de outras épocas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-111938646177009071?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/111938646177009071/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=111938646177009071' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111938646177009071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111938646177009071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/06/incurso-pela-maturidade.html' title='Incursão pela maturidade'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-111932038158821005</id><published>2005-06-20T19:17:00.000-07:00</published><updated>2005-06-21T18:54:57.986-07:00</updated><title type='text'>Cassandra ou Antígona?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Sol emite os primeiros raios que teimam em jorrar a claridade expectável numa manha de Agosto. Afonso sentado na varanda virada a nascente recorda a noite, repensa o rumo na companhia silenciosa garrafa de JB 15 anos e o verdadeiro “habano”, sempre presentes nos momentos de concentração descontraída, como se isto fosse possível. Ainda ligeiramente embriagado e tentando manter esse mesmo estado contra as leis da fisiologia.&lt;br /&gt;Este é um momento masculino, individualista, egoísta…Divido entre uma quase dupla personalidade, sem saber qual a que mais ama e deseja, sabendo que esta noite desejou Cassandra e teve felizmente Antígona! E quanto a agradecer por isso! Porquê esta mulher?&lt;br /&gt;Primeiro o lado destemido, intransigente de quem tudo sabe e tudo detém. Uma personalidade difícil, ríspida e cruel…com tanto de misterioso quanto de assustador. Uma aparente segurança psicológica a roçar o inabalável..a mulher cuja imagem entusiasma um macho em noites de solidão, mas que ninguém deseja para casar!&lt;br /&gt;Repentinamente a máscara cai e vem um lado de Cassandra: incompreendido, frágil, depressivo a caminho da loucura, mas com um grão de sanidade que ninguém parecia descortinar. Um lado a clamar protecção.&lt;br /&gt;Essa noite…levei-a jantar - recordava Afonso por entre uma fumaça do puro cuidadosamente escolhido, como se nada pudesse perder-se nas armadilhas da memória. Restaurante italiano lá para os lados de Sintra, ansioso pelo desenrolar da noite, receoso com o desenvolvimento da nossa relação. Queria levar Cassandra, a depressiva, admito. O lado mais inseguro dava-me segurança, é miserável, mas real! Queria ter a submissa e não a dominadora, pelo menos por hoje!&lt;br /&gt;E ela aparece: vestido preto, sensual, mas discreto. Tacão alto, musa do cinema! Quem viria hoje: Cassandra ou Antígona? Por favor, faz com que seja Cassandra! Nota-se o seu esforço por transparecer calma, afinal é a grande noite! Mas um sorriso matreiro no canto da boca evidencia o seu lado selvático, de quem sabe provocar… e quer fazê-lo! E ela sabe como isto me deixa nervoso! Será que não pensa? Eu não sou de pedra, isto tem de correr bem, digo a mim próprio! Será que é o que pretende?&lt;br /&gt;Abro-lhe a porta do carro, enquanto ela lança uma gargalhada sonora, como que lendo os meus pensamentos de adolescente inseguro! A previsão de estar pela primeira vez com uma nova mulher é sempre aterradora por muitas curvas que tenham rolado pela nossa cama. As mulheres são realmente um bicho estranho!&lt;br /&gt;No restaurante o Peter recebe-nos com o ar habitual, tinha-se tornado uma espécie de retiro relacional para nós. E hoje é uma grande noite! Espero que o seu lado sarcástico de maldade-em-estado-puro tenha ficado no 7º andar daquele prédio lisboeta!&lt;br /&gt;O balão meio cheio (Cassandra diria meio vazio) de um adocicado vinho tinto é colocado sobre a mesa… O seu ar sensual enquanto beberica o copo e me olha desnudando-me desconcentra-me. Reato a conversa sobre teorias darwinistas, penalizando-me pela falta de tacto na escolha, que ela logo reclama. Apetece-me sair da mesa, lavar a cara com água fresca e voltar. Apetece-me voltar atrás. Apetece-me dizer que ela me assusta com aquele ar meio frágil meio empedernido.&lt;br /&gt;Depois de um crepe de chocolate com morangos saímos, a pressão aumenta, fico nervoso, passo um sinal encarnado. Ela percebe e pretende não perceber, o que gera aquele silêncio constrangedor.&lt;br /&gt;Convido-a a entrar talvez um champanhe francês, disse eu. Ela acede. Ocorre-me: espero que a D. Graça tenha limpo a casa, mudado os lençóis e despejado o caixote do lixo da casa-de-banho. Vamos directos à varanda onde o álcool nos ajuda a soltar o espírito e o corpo. Beijo-a, como nunca a tinha beijado. O desejo desce sobre mim, incontrolável. Pego nela ao colo e deito-a na minha cama…A roupa vai saindo sem que dê por isso. E penso: Cassandra ou Antígona? A dúvida faz-me estremecer, ela não pode perceber. Passo as mãos pelo corpo dela, sedoso, um cheiro a orquídeas invade-me as narinas. Ela deixa-se levar enquanto sinto as mãos trémulas de desejo..e medo! É como se fosse a primeira vez que alguém comete o pecado original: a sensação tentadora e perturbadora em simultâneo. Relembro numa fracção de segundo a minha primeira vez numa noite também quente pelo famoso barlavento português, que terminou com a tentativa de encobrir os vestígios num edredão alheio num quase cúmplice acto pós-coital. Mas agora é diferente, a idade é outra..o desejo é o mesmo..mas é um amor maduro que mal me deixa pensar! E dispo-me de uma roupagem social: já não escondo o prazer, o constrangimento, a agradável surpresa de ter comigo Antígona a sensual dominadora entregue a mim…Deve ter sido assim que Eva apresentou o paraíso a Adão… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-111932038158821005?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/111932038158821005/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=111932038158821005' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111932038158821005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111932038158821005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/06/cassandra-ou-antgona.html' title='Cassandra ou Antígona?'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-111931475597800849</id><published>2005-06-20T17:43:00.000-07:00</published><updated>2005-06-20T19:24:18.900-07:00</updated><title type='text'>Portishead: A VIAGEM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela fecha os olhos…sugando o mítico John Player Special e deixa-se ir... O chão é repentinamente um apetecível tapete voador na Terra Fantástica…Umas décadas depois a história do Aladino é uma excelente metáfora duma vida preenchida por errantes espirituais!&lt;br /&gt;A, noutros tempos incómoda, combinação sonora agrada-lhe… E deixa-se ir!&lt;br /&gt;O som penetra…leva-a com ele a outras paragens…flashes de felicidade ocorrem como parcelas rasgadas de uma cubista pintura de Picasso. Sempre a mesma imagem: a cara dele. De perfil. Do flanco esquerdo. Do lado direito. De cima. De baixo. Do topo. A sorrir! A gritar! Zangado! Amuado. Feliz… Saciado... A rir! Entusiasmado!&lt;br /&gt;A CARA, o Rosto, a face! ELE, ELE, ELE!&lt;br /&gt;Uma viagem… pelo interior… o som cerebral… percursos desconhecidos..imagens aparentemente sem nexo. Pequenos momentos kodak em memória humana… Pensamentos circulares, espirais intelectuais de raciocínios caoticamente lógicos, combinações geometricamente abstractas de linhas curvas concêntricas…&lt;br /&gt;Ele ri selvaticamente duma piada incompreensível… Ele sorri perante a beleza dela… Ele grita enraivecido perante a crueldade dela… Ele relaxa após um momento de tensão… Ele torna-se sisudo porque não compreende… Ele abre os olhos de estupefacção face ao ridículo… Ele viaja ao lado dela.&lt;br /&gt;A viagem continua… Sentimentos embrulhados que mal se distinguem do som electrónico e as vozes deturpadas ao fundo… de um túnel?&lt;br /&gt;Um momento de vazio espiritual confortante… só a deixar que o som entre..como que uma inspiração profunda… ondulante... sentimental… depois, sensorial… e mais tarde sensual… e torna-se sexual!&lt;br /&gt;As imagens partem... abandonam-na... ficam as emoções. Já sem rosto…&lt;br /&gt;A nostalgia duma primeira paixão o reflorescer da primavera de hoje… Uma vontade de amar incondicional e profundamente.Um desejo de perdição…Uma viagem na corda bamba.um desejo de segurança… Uma sensação de estar fora da tabela… de isso mesmo ter um ligeiro sabor agridoce de quem gosta da diferença mas precisa de alguém com quem partilhar as descidas ao fundo do poço..e quão fundo se pode ir! Um desespero quase relaxado…uma tentativa de aceitação de um fado… como se não houvesse escolha para o Mundo! Mas… Ela também não quer saber do Mundo! Que o Mundo se dane! Who cares about the WORLD? She is the world… Her world!&lt;br /&gt;A viagem termina com a porta da realidade! Terá sido uma descida ou uma subida? Nenhuma! Simplesmente o caminho de volta, curvo, contracurvo, em ziguezague semelhante a uma embiraguez provocada por uma montanha russa…&lt;br /&gt;Afinal é só chão, o tapete é de Arraiolos, desgastado pelo uso da casa rústica, pelos passos dos avós, das vistas, dos amigos, dos amantes… O Aladino não está lá... e nem saiu do mesmo sítio… mas Ela saiu sem sair! Agora está de volta… com uma diferença… fez uma viagem indescritível, incompreensível e linguisticamente impossível de transmitir… seria como definir o amor: sente-se não se descreve! A realidade pode parecer igual... mas não está, o Aladino existiu, algo mudou…As árvores estão verdes, o céu permanece negro… a realidade é o que ela sente... a viagem foi real!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-111931475597800849?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/111931475597800849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=111931475597800849' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111931475597800849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111931475597800849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/06/portishead-viagem.html' title='Portishead: A VIAGEM'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13827213.post-111930811865603391</id><published>2005-06-20T15:48:00.000-07:00</published><updated>2005-06-21T13:43:13.556-07:00</updated><title type='text'>Muito, Meu Amor!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se afinal não faz mal chorar quando se tem vontade, então eu hoje choro. Ao contrário do resto do mundo apenas o faço porque há um excesso de suco lacrimal no meu organismo. Um qualquer teorema matemático associado ao funcionamento de certa glândula explicará isto. Eu sei que hoje choro! E é isso que importa!&lt;br /&gt;É tristeza? É depressão? É vazio? There’s just something lacking! Somewhere there’s someone who knows what this means! Mas é isso…um vazio, algo que me falta! É perturbação pelo cansaço, que desta vez não foi compensado pelo descanso da guerreira!&lt;br /&gt;Uma vez, antes de uma porta para o céu e fechar, eu ouvi: Se buscas segurança em vez de felicidade, a segunda é o preço que pagarás pela primeira. Haverá mais portas para o céu? E depois da segurança? O que me resta? Um prédio acre de betão? Aí eu perdi a primeira batalha. Sem saber fechei a porta, tranquei tudo…fiquei segura…respirei fundo e depois senti-me perdida! Ganhei um castelo, uma fortaleza isolada para ser intocável.&lt;br /&gt;Um dia alguém tirou um tijolo. Qual não é o meu espanto que, qual torre de babel, o castelo de cartas ruiu ao primeiro sopro. Será…Será…que afinal fui eu que tirei o tijolo com esta mania da fuga perante o perigo que me torna mais fácil culpar o alheio?&lt;br /&gt;Mas porquê até tão longe? Mas e hoje? Porque é que os demónios não deixam os anjos em paz? Ou serei eu o demónio? Ou serei o anjo que busca o demónio? A guerra não vive sem paz..O anjo também não vive sem o demónio. Mas os anjos assustam-me, a palidez, o branco, o ar gélido! Deve ser por isso que eu não gosto de branco! É frio e eu procuro calor…acolhedor! Uns grandes braços viris que me agarrem, que me digam que vai tudo correr bem, que me prometam que haverá sempre alguém que tomará conta de mim…Lá estou eu com esta mania da segurança, da estabilidade, da protecção e de ter uma fortaleza!&lt;br /&gt;Será que afinal sou feliz e não dei por isso? Será que crio obstáculos só para me sentir mal? Teria ele razão quando falava na minha atracção pelo abismo?&lt;br /&gt;O que se abateu hoje sobre mim? Medo? Sempre medo? Sempre o pânico? Será que afinal é o que terei de sacrificar pela felicidade? Mas ninguém é feliz..A felicidade é um estado!&lt;br /&gt;O que me falta? Tudo! Independência, sucesso, amor, sexo, dinheiro, garra, confiança..e segurança! Falta tudo…Sim, é verdade eu não me entrego…Não será a história da falta de disponibilidade emocional mais um placebo? No fundo voltamos ao cerne: a falta de confiança em mim e nos outros! Confiança que um dia tive de volta pela verde janela da alma de alguém e que um quase-réptil destruiu. E agora?&lt;br /&gt;Perante o turbilhão das 4 h de sono diárias, a falta de segurança profissional, a falta de convicção num futuro onde ninguém escolherá por mim e eu me sinto encurralada com tanta opção, só tenho vontade de me esconder debaixo do edredon rosa bebé e fechar os olhos até que desapareça…Mas já não tenho 10 anos! E o mundo entra pela janela mesmo que tranque a porta. E tenho que escolher: o carro, a casa, a empresa, os amigos, o Homem! Tudo depende duma escolha minha. Mãe? Pai? Alguém pode escolher o que vou vestir amanhã?&lt;br /&gt;Eu não sei se sou capaz de escolher a vida toda! E se falho? Eu sei, eu sei… Nunca deixes de jogar com medo de perder! Mas…E se…Sempre e se!!! Será que não se compra um pack de futuro já feito?&lt;br /&gt;A liberdade é um desejo, mas depois tenho que escolher o que fazer com ela. Ser livre implica poder escolher! Can’t my life stop here?&lt;br /&gt;Quero um shot, se faz favor! Vodka Paixão, tem? Ahhh..o pensativo charuto da paz invade o cérebro..agora tudo é mais simples outra vez…E daqui a pouco serei uma laranja a correr a 24 de Julho com medo da deglutição humana, enquanto eles vêem bolinhas amarelas e serpentinas cor-de-rosa!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13827213-111930811865603391?l=vorvzakone.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://vorvzakone.blogspot.com/feeds/111930811865603391/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13827213&amp;postID=111930811865603391' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111930811865603391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13827213/posts/default/111930811865603391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://vorvzakone.blogspot.com/2005/06/muito-meu-amor.html' title='Muito, Meu Amor!'/><author><name>DiDuarte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13145187519579808944</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
